Terceiro Erro

Acreditar que só se vive uma vez

“Os seres humanos continuarão indo para o Céu e retornando à Terra depois da morte, até que todos tenham alcançado a boa posição”.

 (Sabedoria milenar de Ifá – Odu Ìrosù’wòrì)

“Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus”

(João, 3:3)

 

O

 terceiro erro é acreditar que somente se vive uma vez, que temos uma única chance e que, caso morramos em erro, seremos condenados eternamente. Essa crença traduz-se em ameaça a todos os que cometem erros, na ilusão que assim ameaçados serão dissuadidos de errar. Ela nega, porém, o conceito de justiça de Deus.

Não existem duas pessoas totalmente semelhantes. Dessa forma, seria injusto que todos fossem julgados de forma semelhante. Os menos dotados devem merecer tratamento diferenciado na mesma medida em que se diferenciam. Pensar qualquer outra coisa é considerar Deus como injusto. Mais injusto ainda é crer que Deus seja responsável pela diferenciação entre os seres humanos. É meridianamente claro que Deus poderia ser considerado sádico, caso criasse diferenciações entre os seres humanos apenas para poder tornar possível a demonstração de seus poderes. Assim, fica claro que, não resultando a grande diferenciação encontrada nas diversas condições humanas dos caprichos de Deus, ela deve ser decorrente de nosso merecimento em face de nossas ações terrenas anteriores. 

O conceito da reencarnação fica claro se ouvirmos a palavra de Jesus com ouvidos de ouvir: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (João 3-3) – “E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. 2 E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? 3 Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9). Fica claro que a criança não nasce cega por que Deus pune a iniqüidade de seus pais, mas sim que para que a obra de Deus aqui traduzida pela lei de causa e efeito nela se manifeste, auxiliando o seu aperfeiçoamento espiritual. Se a criança cega não tivesse jamais pecado, seria injustiça a sua cegueira. Dessa forma, o pecado que a fez nascer cega passou-se em outra existência. Quando Jesus disse “nem ele pecou” falava a verdade porque se referia à presente existência do cego. 

 “Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (João 5-25), “vem a hora em que todos os que estiverem nos sepulcros ouvirão a sua voz” (João 5-28) “e os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5-29). É claro que a hora a que se refere Jesus é a hora do fim de nossa presente existência. Junto aos sepulcros somente permanecemos no momento de nossos funerais. Pensar de outra forma seria crer que todos os que faleceram, desde o início dos tempos, ainda permanecem em seus sepulcros! Isso seria outra terrível injustiça de Deus, pois condenaria todos -- os bons e os maus -- a permanecem séculos e milênios aguardando o dia do Juízo Final! A ressurreição da vida indica o alcance de um estágio de aperfeiçoamento no qual não mais teremos a necessidade de reencarnar. A ressurreição da condenação significa renascer na terra para outra existência na qual as obras de Deus serão manifestas em nós segundo sua justiça infinita.

Jesus disse: “Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3-7) e, mais adiante, “Se vos falei de coisas terrestres e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (João 3-12), acrescentou ainda: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (João 16-12), deixando claro que seria um passo muito largo para as mentes daquela época a absorção de outros conhecimentos além da lei do amor que preconizava em substituição ao olho por olho do Deus de Abraão. 

Em Mateus 12-14, Jesus afirma ser João uma reencarnação do profeta Elias: “E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir”.  Em Mateus 17-11: “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas”. Em Mateus 17-12: “Mas digo que Elias já veio, e não o conheceram”. Em Mateus 17-13: “Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista”. 

Um argumento freqüentemente usado contra a realidade da encarnação é que seria então correto deixarmos de auxiliar o próximo, pois assim contribuiríamos para o seu aperfeiçoamento e que, se punirmos aqueles que procedem contra os costumes sociais estaríamos atentando contra nossas futuras encarnações. É claro que os que alegam tal argumento o fazem no esquecimento de todos os outros ensinamentos de Jesus que, além de ter revelado a nós a existência de outras vidas, preconizou que o mais importante do que tudo é que amemo-nos uns aos outros. Esquecem-se que o amor ao próximo nos obriga a impedir a ocorrência de ações malévolas e a tentar impedir que elas se repitam.

A descrença na reencarnação faz com que se atribuam às punições legais terrenas propósitos de vingança, a ela incorporando nuances de barbarismo, esquecendo que estas punições devem atender à finalidade primordial da reeducação social. Nas relações entre dois seres humanos, essa descrença contribui para impregnar com o sentimento de revanchismo quaisquer eventos considerados mal solucionados por uma ou ambas as partes. Ela é também responsável pelo materialismo, pela inveja, pela soberba, pela indiferença, pelo inconformismo, pelo racismo e por muitos outros males que quotidianamente assolam a todos os encarnados nesse planeta.

Enfim, sem a reencarnação, seria difícil conceber que os mecanismos que regem a vida em nosso planeta tivessem sido criados por Deus.

ibatan

 

 Os sete erros Primeiro erro Segundo erro Terceiro erro Quarto erro Quinto erro Sexto erro Sétimo erro Conclusão

 

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