Saudades do Brasil

 

 

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o dia primeiro de maio, a rádio MEC-FM transmitiu a seguinte mensagem: "Na época da ditadura, o dia do trabalho era comemorado pelos governantes e pelos empresários. Hoje, quem comemora os ganhos obtidos são os trabalhadores..." Mas, que ganhos? Talvez os vinte reais oferecidos como reajuste pelo PT... O que comemoram os trabalhadores? A falta de empregos para pessoas honestas que se desesperam ao voltarem para casa, dia após dia, com  a certeza de que não poderão sustentar suas famílias por meios dignos? As balas perdidas? O subemprego? Que tristeza! 

Em que transformaram o nosso Brasil?

Porém, fica a dúvida... Se os tempos da ditadura foram tão ruins para os trabalhadores, se esse fato político pertence ao passado que já vai ficando longínquo, então porque os marxistas não param de repetir esse já desgastado chavão? Porque todos parecem bater na mesma tecla incessantemente? Existe alguma ameaça de implantação de qualquer ditadura que não seja a do proletariado? Quantos partidos ou candidatos com possibilidades de vitória possui a direita? Existe algum veículo de mídia de significação que defenda idéias de direita, ou mesmo de centro direita?

A explicação é bem simples: é necessário falar mal dos militares incessantemente, pois, caso contrário, as pessoas poderão se lembrar de como suas vidas eram melhores naqueles tempos... Afinal, muitas gerações que ainda estão vivas presenciaram aqueles dias em que eram felizes e não sabiam e, mesmo tendo sido submetidas a uma constante lavagem cerebral pela mídia e pelas universidades e escolas, sentem cada vez mais saudade daquele passado que já vai ficando distante. Se o governo não inundar o pensamento coletivo com meias verdades, as outras metades certamente despontarão nas mentes de todos e, nesse caso:

Elas poderão se lembrar, assim como fez o presidente Lula, do tempo em que existiam placas de "procura-se" na porta dos estabelecimentos comerciais, industriais e dos inúmeros canteiros de obras...

Elas poderão se lembrar, assim como o presidente Lula, do tempo em que existiam greves de trabalhadores do setor privado, reivindicando melhores salários...

Elas poderão se lembrar do tempo em que, quando se deixava um emprego, era para ir para outro melhor...

Elas poderão se lembrar do tempo em que a polícia não subia o morro atirando ou invadindo lares de pessoas humildes em busca de traficantes...

Elas poderão se lembrar do tempo em que ninguém ficava desesperado quando um filho demorava a chegar em casa...

Elas poderão se lembrar do tempo em que as cidades não pareciam cenários de combates de uma guerra cada vez mais desumana...

Elas poderão se lembrar do tempo em que arma de bandido era navalha...

Elas poderão se lembrar do tempo em que apenas os marginais que apregoavam o assassinato dos burgueses tinham razões para sentirem-se inseguros ou prejudicados...

Elas poderão se lembrar do tempo em que os brasileiros não praticavam o auto-exílio, já que este era reservado apenas aos que se voltavam contra os valores democráticos...

Elas poderão se lembrar do tempo em que pessoas inocentes, tais como crianças, velhos, pais e mães de família, estudantes e trabalhadores não eram quotidianamente seqüestrados, torturados, roubados ou mortos...

Elas poderão se lembrar do tempo em que os que ocupavam o poder não ludibriavam o povo, vestindo a pele de democratas e omitindo descaradamente suas tentativas, em passado recente, de findarem com a família, com os valores democráticos, com as religiões, com a liberdade de ir e vir e com o direito de propriedade...

Elas poderão se lembrar do tempo em que pessoas como Fernandinho Beira-Mar não ocupavam o tempo de tantos governadores, juizes, policiais, advogados, pilotos de helicópteros e aviões, repórteres etc...

Elas poderão se lembrar do tempo em que criminosos não ordenavam assassinatos a partir de suas celas de insegurança máxima...

Elas poderão se lembrar do tempo em que não havia apagões e não se precisava pagar taxas de termoelétricas no país de maior potencial hidroelétrico do mundo...

Elas poderão se lembrar do tempo em que as estradas eram construídas e manutenidas com os impostos para isso destinados e não se precisava pagar pedágios em quaisquer estradas sem acostamento e, até mesmo, no interior de cidades...

Elas poderão se lembrar do tempo em que havia uma política séria para as populações indígenas; do Marechal Rondon; dos irmãos Vilas Boas e de uma FUNAI que não exportava diamantes...

Elas poderão se lembrar do tempo em que ONG patrocinadas por capitais inconfessáveis não eram capazes de isolarem áreas imensas (e fronteiriças) de nosso território, ricas em minerais, sob o pretexto de concederem alguns milhões de hectares a uns poucos brasileiros que muitos pensam serem índios, mas que dirigem um moderno pick-up 4X4, vestindo camisas de griffe, assistem as novelas da globo e, como 007, possuem licença para matar...

Elas poderão se lembrar do tempo em que chegamos a ser apontados como o segundo país do mundo em poder percebido...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil crescia economicamente e chegou à oitava posição mundial...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o governo brasileiro não negociava com assassinos...

Elas poderão se lembrar de que, hoje, continuamos socialmente injustos, todavia, somos apenas isso... Estamos decaindo e já atingimos a décima quinta posição...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil tinha um plano...

Elas poderão se lembrar do tempo em que as FARC eram consideradas  como um bando de assassinos narcotraficantes e narcoguerrilheiros...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil possuía apenas padres que não pregavam o justiçamento em nome de Deus...

Elas poderão se lembrar do tempo em nossos projetos, por mais grandiosos que fossem, eram levados a cabo com êxito...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil era amado pelos brasileiros que tinham motivos para orgulharem-se de seu país...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil respeitava o direito de propriedade e não o direito de viver numa propriedade cercada por grades de ferro...

Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil ainda não tinha sido dominado pelas idéias assassinas de Marx e pelo famigerado decálogo de Lênin. Do tempo em que os governantes não tentavam, como Marx propôs, o nivelamento por baixo, extinguindo tanto o inferno como o paraíso, transformando todo o planeta num imenso e monótono purgatório onde a esperança pereceu...

Mas, de qualquer modo, por mais que o tentem, jamais conseguirão revogar a destinação planetária imposta por Deus aos que aqui nasceram. A de galgar os sofridos degraus da evolução espiritual em meio a diversificado cenário de qualidades de vida. Essas desigualdades existem, e sempre existirão, conforme a vontade do Criador, justamente, para que possamos evoluir por mérito, exercendo nosso livre arbítrio de escolha dentre a miríade de caminhos à nossa disposição nesse mundo de diferenças, oportunidades e chamamentos.

 

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