Mais quatro anos. 

Será que o país agüenta?  

(escrito em 2005 e parece que o Brasil não aguentou...)

Todos que acompanham o fato político recordam-se das recentes pressões do governo norte americano para que o Brasil revelasse os detalhes de suas descobertas tecnológicas na área do enriquecimento de urânio. Naquela ocasião, fomos equiparados ao Iran e à Coréia do Norte. Assim, o modo ameno como Condoleezza Rice referiu-se, recentemente, a nosso programa nuclear e sua afirmação de que estamos no caminho certo e de que logo seremos uma grande potência econômica, mesmo diante da incompetência demonstrada pela administração do presidente Lula em solucionar nossas mazelas, somente contribuíram para aumentar o nível geral de alerta dos que suspeitaram que a visita de Donald Rumsfeld tenha incluído algo mais do que os eventos de sua agenda oficial. É claro que o Brasil desempenha papel preponderante no continente, mas não a ponto de poder divergir dos interesses de Washington, impunemente.

É importante recordar que os norte-americanos sempre influenciaram a eleição dos presidentes brasileiros, mas essa influência parece ter aumentado desde a queda do muro de Berlim. A agenda norte-americana para o Brasil vem sendo cumprida religiosamente desde que os militares deixaram o poder. Recordemos que o presidente Geisel rompeu o acordo militar Brasil-EEUU em 1977, em razão das reações hostis da administração Carter à assinatura do acordo nuclear Brasil-Alemanha e de suas pressões inaceitáveis à nossa soberania. Ante esse grito de independência, os norte-americanos reagiram com veemência, apoiando Brizola, que foi hospedado no Waldorf Astoria em Nova York com honras de Chefe de Estado. Foram patrocinadas conferencias de natureza política em diversas partes do globo, onde o último dos caudilhos, que sempre pensou mais em si mesmo que em seu país, caluniava os governos patrióticos brasileiros, agora considerados inaceitáveis pelo primeiro mundo, por desejarem cortar as amarras às quais até hoje estamos presos.

Em 1982, os americanos já sabiam da iminente falência da URSS. O Presidente Figueiredo havia deixado transparecer que seu sucessor, provavelmente, não seria um militar. Coincidentemente, nessa ocasião, foi fundado o “Diálogo Interamericano” por David Rockfeller, Robert McNamara, Cyrus Vance, representantes do establishment americano e políticos promissores da América Latina, integrados no esquema que redesenhava o futuro mundo unipolar. Entre esses políticos encontrava-se Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e senador da oposição, representando "a nova esquerda", alinhada agora aos interesses dos EEUU.

O apoio americano às esquerdas foi uma atitude natural, já que os marxistas não mais poderiam subordinar os países por elas dominados à URSS - que não mais existiria, restando-lhes tão somente a possibilidade de retardarem o desenvolvimento dos países nos quais triunfariam finalmente, o que parecia interessante aos olhos do primeiro mundo, sequioso por adiar o momento da explosão da bomba ecológica, a cada dia mais próximo em face da velocidade do desenvolvimento econômico dos países mais pobres. 

Os seus dois objetivos principais eram e são:

·        propiciar um significativo canal não governamental de comunicação entre líderes das Américas;

·        providenciar análise substancial e propostas de políticas específicas, com o objetivo de resolver problemas regionais cruciais. Tudo isto dentro do receituário neoliberal, preconizando o fortalecimento das entidades de direitos humanos, o enfraquecimento das Forças Armadas, a necessidade de garantir o pagamento das dívidas externas e privatização de empresas estatais para abater dívidas e a questão das drogas, em especial no que afeta ao Poder Nacional dos EUA.

N.A. O endereço desta organização é 1211 Connecticut Avenue, Suite 510, Washington, DC 20036, tel. (202) 822-9002, Fax (202) 822-9553, site:

http://www.thedialogue.org/

Collor (que derrotou Lula por pouco, possivelmente apoiado pelos EEUU), logo no início de seu mandato, acedeu às imposições norte-americanas de tapar a chaminé natural da Serra do Cachimbo que, eventualmente, serviria para testes nucleares, além disso, pôs fim em nossa industria bélica que era uma das maiores do planeta e gerava milhares de empregos, exatamente como Washington queria. Itamar, pelo decreto nº 1.246, de 16 de setembro de 1994, legalizou o tratado de Tlatelolco. Fernando Henrique, cria do Diálogo Interamericano (ao qual também pertence Lula), aderiu ao Tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP), assinando o decreto nº 2.864, de sete de dezembro de 1998, logo após ter sido reeleito. Todos se recordam que essa reeleição foi obtida com o auxílio do Secretário do Tesouro dos EEUU, que garantiu a sobrevalorização do real até quinze dias depois da posse. Todos se recordam, da mesma forma, como ele cedeu ao capital internacional, a preços simbólicos, diversas empresas que custaram o sacrifício de milhões de brasileiros durante décadas.

O Brasil, já há muitos anos, recusava-se a aderir aos dois tratados mencionados devido ao caráter discriminatório daqueles documentos que criaram duas classes de países: os que podem e os que não podem ter armas nucleares. A adesão brasileira vinha sendo quase que exigida pela agenda norte-americana. O cinismo desses instrumentos políticos veda à maioria dos países possuírem aquilo que outros são autorizados, legalmente, a estocarem aos milhares, contrariando o próprio espírito do documento que favorece os poderosos e os irresponsáveis, acolhendo regime de exceção inaceitável.

Como seus antecessores, o presidente Lula pode ter sido apoiado pelos EEUU, após dezessete de setembro de 2002, quando foi noticiado pela Rede Globo de Televisão - no Jornal Nacional - que Ciro Gomes o derrotaria no segundo turno por um por cento de votos. O fato é que, logo em seguida, após inexplicável (para uma raposa política) declaração infeliz, em discurso efetuado no Rio Grande do Sul, Ciro decresceu em intenções de votos muito mais do que se poderia esperar (e, como todos também sabem, virou ministro e detém o poder do conhecimento de onde serão construídos os novecentos quilômetros de canais que desviarão o rio São Francisco). Isso explicaria porque o PT, que detinha apenas 33% dos votos nas eleições anteriores, obteve o dobro naquele sufrágio. Explicaria, além disso, o descumprimento das diretrizes econômicas que o PT alardeou antes da eleição (Celso Daniel, que seria o Ministro da Fazenda, foi assassinado. Este crime impediu que assistisse ao descumprimento delas) e o total alinhamento à política econômica praticada pelo presidente antecessor (Vice-Presidente do Diálogo Interamericano) que tanto beneficia a especulação internacional em detrimento da qualidade de vida dos brasileiros.

Assim, não se pode afastar a hipótese de que, se Lula não obedecer a agenda secreta imposta por Condolleezza, poderá perder o apoio que Bush parece estar lhe prestando. Isso, provavelmente, inclui maior moderação no que se refere ao apoio ao presidente Chavez, cuja iniciativa de armar o país poderia significar um expediente para armar as FARC ou mesmo o MST. Cidadãos da milícia venezuelana poderiam, por exemplo, facilitar a captura de seus armamentos (sem resistência) na fronteiras – caso não fossem normalmente contrabandeados por outros meios.

Também a homologação de forma contínua da reserva indígena Raposa - Serra do Sol, que concede a uns poucos índios a metade do território de Rondônia, paradoxalmente contra os interesses de outras tribos indígenas locais, reflete o poder exercido sobre Lula pelas potencias internacionais, podendo, em futuro breve, significar a conquista desse território por interesses alienígenas ou a perda de nossa soberania sobre ele (que é o que interessa). 

As “nações” indígenas que dirigem modernos automóveis, contrabandeiam diamantes, minerais e segredos de plantas medicinais e vedam a entrada de nacionais em seus domínios, enquanto estrangeiros lá circulam livremente, podem declarar sua independência apoiadas pelas potências dominantes. Afinal, porque será que existem índios cursando em faculdades norte-americanas, aprendendo inglês e recebendo todo o tipo de apoio desse e de outros países? O mesmo já ocorreu com a falsa “nação” Yanomami. Essas homologações, certamente, também estão ligadas às futuras necessidades de água potável do planeta, além de congelarem as reservas minerais que lá existem.

Ao que parece, o presidente Lula obedecerá fielmente a agenda imposta e será novamente apoiado por Bush. Por isso, parece que o Brasil terá que padecer mais quatro anos de incompetência administrativa e assistir com náuseas a distribuição de “favores” aos amigos do PT. A saída de José Dirceu, (deixando Palocci livre), logo acompanhada do anúncio de um desvio de rota do avião presidencial  para Caracas no vôo Assunção-Brasília, encompridando em cerca de oito horas o pequeno percurso, parece indicar que outras correções de rumo terão que ser efetuadas no eixo Fidel-Chaves-Lula.

Tomara que Deus seja brasileiro. Somente assim o país poderá sobreviver.

Carlos Hernán Tercero

           

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