Introdução

 

 

 

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ssistia ao programa Roda Viva quando um dos entrevistadores de esquerda perguntou a uma cientista norte-americana (do MIT) como a ciência poderia auxiliar o desenvolvimento humano ao invés de dedicar-se principalmente a fins bélicos. A resposta veio rápida. Não me recordo das palavras exatas, porém, sua mensagem foi a de que, desde o inicio dos tempos, a ciência dedicou-se a atender as aspirações humanas em sua maioria nada altruístas. Recordou os Gregos, os Persas e os Cartagineses, deixando claro que a guerra, embora fenômeno social condenável por quase todos, é, paradoxalmente, a grande motivadora do progresso humano e que os seres ditos humanos não são sempre tão humanos assim. Em outras palavras, respondeu que a grandeza dos EEUU deve-se ao fato de seu maior período de paz ter ocorrido entre os anos 1919 e 1941. Ou seja, tendo aquele país permanecido em guerra quase que ininterruptamente desde a proclamação de sua independência, intensos esforços foram dedicados à pesquisa pelas Universidades, ao longo dos últimos séculos, gerando muitas conquistas tecnológicas as quais resultaram na melhoria da qualidade de vida não somente dos americanos, mas de outros povos.  

Por trás daquela resposta pragmática esconde-se o fato de que o bom andamento da pesquisa tecnológica necessita da concentração dos esforços nacionais e de um rumo geral a ser seguido. Em tempos de paz, as pesquisas atendem principalmente as motivações dos pesquisadores, diversificando-se os esforços e aumentando a competição pela primazia das descobertas.  Durante as conflagrações entre Estados-Nação, o apelo à conquista dos objetivos políticos por meio do instrumento da guerra gera a união nacional em torno da busca desesperada por novas tecnologias capazes de superarem as possuídas pelo país inimigo. Isso concentra a capacidade intelectual dos cientistas em propósitos determinados e, além do mais, lhes disponibiliza, em curto prazo, grande quantidade de recursos que tendem à escassez em tempos de paz. A priorização das atividades de pesquisa gera grandes dividendos, pois, finda a guerra, as tecnologias descobertas são quase sempre adaptadas para usos comerciais.

Todos concordam em que não é concebível assumir-se o custo de uma guerra no intuito de provocar-se quaisquer efeitos desejados. É justamente para isso que servem as Forças Armadas: - para prevenirem as guerras (se queres a paz prepara-te para a guerra). Mas, no caso delas eclodirem, as Forças Armadas devem ser capazes de manterem a conflagração distante do solo pátrio ou, pelo menos, de garantirem a incolumidade das áreas vitais desse solo. Entretanto, isso somente é possível quando os governos adotam continuada política de fomento às pesquisas relacionadas à defesa nacional. Paradoxalmente, tais pesquisas findam aumentando a qualidade de vida da população. Inversamente, o custo de um país não investir em defesa pode ser muito maior do que o total dos recursos obtidos por deixar de fazê-lo. A diferença entre os tratamentos dispensados ao Iraque e à Coréia do Norte responde por essa afirmação. Não que esse site apóie qualquer das políticas adotadas por esses países, todavia, nesse planeta selvagem, quem não representa qualquer ameaça finda sendo dominado.

Em suma, o que todos já sabíamos (e que alguns teimam em alterar) é que não há substituto eficaz para o Estado como formulador dos objetivos a serem buscados pelos nacionais, seja pelos diretamente envolvidos nessa busca, seja pelos que estimulam tais esforços com o seu reconhecimento e o seu aplauso. Porém, em nossos dias, respira-se um ar de condenação à ação do Estado como orientador do desenvolvimento, como defensor dos interesses nacionais ou como formulador de objetivos que norteiem a política nacional. Confunde-se a liberdade de ação que deve ser assegurada às empresas privadas e a inadequabilidade do Estado como agente empreendedor com o alijamento do Estado da orientação da pesquisa científica e tecnológica. Tão somente idéias relacionadas a altruísmo, ecologia e defesa de direitos humanos, idéias louváveis, diga-se de passagem, parecem ser encaradas com entusiasmo pela mídia e pelo governo. Infelizmente, elas dependem da geração de riquezas para que possam ser implementadas na medida imposta pelos nossos graves problemas sociais. É notório que o Brasil que tinha um plano e os planos para um Brasil grande saíram de moda. Será que a maioria pensa que a globalização fornecerá as soluções para nossos problemas e que as ameaças ao Estado desapareceram do cenário político internacional, restando às Forças Armadas o papel de polícia emergencial?

O país parece estar em descompasso com a realidade de nossos problemas – difíceis de serem solucionados – em prol de políticas românticas que muito impressionam, mas que, em longo prazo, apenas tendem a piorar a já grave situação social. Tenta-se fazer com que as novas gerações dispam a camisa do nacionalismo, rotulando-a de “coisa de militares” esquecendo-se de que militares nada mais são do que nacionais que abraçam carreira específica. Mais exatamente, carreira que prega a defesa do que é nosso com o sacrifício da própria vida. Pretende-se substituí-la pela camisa do internacionalismo, como se o mundo fosse habitado por seres altruístas que se preocupam tão somente com o bem estar geral.

O fato é que se confunde a necessidade que existiu, em passado recente, de se reprimir ideologia alienígena estranha ao caráter nacional com a idéia da usurpação gratuita da democracia pelos militares. Assim, foi ensinado a muitas gerações que o poder militar constitui entrave ao desenvolvimento político, esquecendo-se de que todas as grandes democracias possuem incrível poder bélico. Esqueceram-se de que, nas democracias, o poder militar é controlado pelo poder civil. A idéia de patriotismo também foi, de modo semelhante, rotulada como coisa do passado. Poucos percebem que, na atualidade, ninguém é capaz de citar o nome de qualquer militar conforme ocorria em passado não distante. O afastamento dos militares dos meios políticos foi arquitetado pela honestidade de caráter do Presidente Castelo Branco, ao alterar a Lei que regulamenta a promoção dos oficiais generais, impedindo-os de permanecerem mais de doze anos em serviço ativo (isso, os poucos que conseguem galgar todos os postos da carreira).

Não é necessário grande poder de observação para detectar-se a condenação genérica de eventos que, ainda que de modo tênue, relacionem-se ao poder militar. Em nossas escolas, os jovens são ensinados a quase repudiarem o sentimento de patriotismo que outrora marcou o desenvolvimento nacional. Prega-se a repulsa às coisas militares pela falaciosa idéia de que a ação regeneradora de 31 de Março de 1964 voltou-se contra as instituições democráticas em prol de uma ditadura repressora dos direitos humanos. Na verdade, omitem que o ideal dos que lutaram contra a "ditadura militar" não era o estabelecimento de uma democracia, mas sim o da ditadura do proletariado, apoiados seja pela China, pela URSS ou por Cuba (na verdade, o regime estabelecido em 1964 foi uma democracia adaptada para o enfrentamento das peculiaridades da guerra revolucionária patrocinada por estrangeiros, na qual a eleição presidencial era indireta. É necessário relembrar que a História do Planeta não conheceu, até hoje, ditadores que permanecessem no poder por tempo pré-estabelecido como no caso dos presidentes militares – que morreram pobres. Basta observarmos o comportamento dos sanguinários ditadores Stalin, Mao, Pol Pot ou Fidel Castro, entre outros, todos encastelados no poder que conquistaram do qual somente foram ou serão removidos por meios violentos ou pela morte).

Condenam-se as relativamente poucas mortes ocorridas sem tecer, por um momento sequer, comparação com os milhões de mortos e torturados por Mao, por Stalin, pelo Khmer Vermelho, os dezessete mil torturados e fuzilados por Castro, os milhares de mortos pelo Sendero Luminoso (grupo responsável pelas mais inenarráveis torturas) e pelas FARC, os milhares de mortos na própria Revolução Francesa em nome da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e, pior do que tudo, os milhares de torturados e mortos anualmente nos governos das esquerdas sem que a mídia o reconheça com a ênfase devida (os governos comunistas assassinaram cerca de cem milhões de pessoas não comunistas no planeta!). Hoje, em nosso país, essas cores tenebrosas são tingidas com matizes que sugerem vivermos em plena normalidade, mesmo estando inseridos em guerra civil onde favelas com status de Estados legislam com mais eficácia que o governo sobre os usos e costumes dos cidadãos intimidados. 

A brandura da repressão do governo militar brasileiro quando comparada à que ocorreu no Chile ou na Argentina e em outros países é notável. No Brasil, com uma das maiores populações e um dos maiores territórios do planeta, DURANTE MAIS DE VINTE ANOS DE REGIME MILITAR pereceram cerca de 400 pessoas EM AMBOS OS LADOS.  Na Argentina as mortes ultrapassam 30.000 pessoas; no Chile foram mais de 4.000 e, no Uruguai, país de reduzido território e pequena população, cerca de 3.000. A Colômbia, cujos militares não conseguiram erradicar o terrorismo, já perdeu, até hoje, mais de 45.000 pessoas e cerca de um terço do seu território para as FARC. 

Excetuando-se aqueles que perderam seus entes queridos, para os quais uma morte é mais importante do que tudo, o significado de quatrocentos mortos nas Forças Armadas e nas organizações terroristas, durante vinte anos, parece muito pequeno quando lembramos que em nosso país, hoje governado pelas esquerdas, são assassinadas quarenta mil pessoas a cada ano! Sim, o Brasil produz onze por cento de todos os homicídios do planeta... Segundo dados do relatório da Anistia Internacional, entre os meses de janeiro a novembro de 2003, a polícia matou 915 pessoas em São Paulo (11% mais que no ano anterior) e 1.195 no Rio de Janeiro  (32,7% mais que em 2002)!

(Nota do autor: no ano de 2010, em plena "democracia", ocorreram cinquenta mil homicídios... a grande maioria deles não investigados...passamos de 11,7 homicídios por 100 mil habitantes, em 1980, para 26,2, em 2010. Um aumento real de 124% no período... Onde iremos parar? Nas guerras não se morre tanto assim...)

O que queriam os que criticam a repressão? Que se combatessem terroristas (e marginais) com lições de moral? Entretanto, aqueles marginais, que foram anistiados e agora assumiram o poder, apregoam a todos que lutavam pela defesa das instituições democráticas (escondendo suas antigas reais intenções de estabelecerem aqui a ditadura do proletariado). Provavelmente, referem-se às mesmas instituições democráticas que existiram na URSS e que existem em Cuba... É incrível a forma como usam dois pesos e duas medidas para engabelarem os jovens que não viveram os dias de prosperidade nacional, quando apenas os que integravam instituições terroristas fomentadas por países comunistas tinham o que temer do Estado. Segundo Elio Gaspari, no livro “A Ditadura Derrotada”, pg 189: “uma pesquisa feita junto a operários indicava que o governo e os militares eram as instituições em que mais confiavam para a defesa de seus interesses. Os mais desacreditados eram os políticos e, entre eles, os da oposição”.

Atualmente, em 2012, têm o cinismo de constituírem uma comissão da verdade para apurar os crimes cometidos pelo Estado? Os crimes bárbaros cometidos pelos que instituíram essa comissão não serão apurados, pois, caso contrário, a própria presidente teria que se explicar, assim como muitos de seus auxiliares que, hoje, se travestiram de pessoas que nunca assassinaram ninguém, jamais roubaram algo, nunca sequestraram pessoas, nem torturaram indivíduos para obterem informações ou justiçaram seus próprios companheiros. Mas... se che guevara e fidel castro que assassinaram milhares de inocentes são considerados santos pelos que adotam dois pesos e duas medidas, porque não esquecer o bárbaro assassinato do capitão Chandler em frente aos seus filhos, a morte de Mario Kozel Filho cuja cabeça foi decepada por uma bomba, a morte do Almirante Nelson Fernandes no aeroporto de Guararapes ou a execução do tenente Alberto Mendes pelo, hoje, herói e antigamente traidor da pátria, lamarca, que virou nome de rua, praça e tem até estátua...?

Qual Estado protegia melhor a sua população? O dos governos militares ou o das esquerdas? Para obter a resposta, basta verificarmos que, até 1980, os acidentes de trânsito eram a principal causa de mortes violentas, superando de muito os homicídios. Naquele ano, morreram assassinadas em todo o Brasil treze mil e novecentas pessoas. Hoje, os homicídios são a principal causa dessas mortes. Somente no ano 2000, foram assassinados mais de quarenta e cinco mil seres humanos em nosso país! Em um ano da guerra do Iraque os mortos não superaram os dezoito mil! Segundo o IBGE, em números absolutos, 272.462 brasileiros homens morreram entre 1998 e 2008 por causas violentas, mais que o dobro dos 119.864 que morreram de causas naturais no mesmo período!

Esse cenário de repúdio aos valores nacionais patrocinado pelas esquerdas contribui para gerar forte descrença na capacidade da Nação superar a crise que ora assola o planeta, gerando elevado grau de pessimismo no futuro do país. Esses dois fatores adversos realimentam-se, o pessimismo ampliando a descrença e a descrença avivando na mente dos mais jovens a certeza de que não há caminho para a retomada do desenvolvimento que outrora impregnou de orgulho todos os que amam o verde, o azul e o amarelo. Aliás, hoje, até mesmo as cores nacionais parecem necessitar do socorro de outras, como o preto e o vermelho para que formem o matiz que, muitos crêem, poderá gerar o progresso. É a síntese da negação da crença no nacionalismo como fator de união e progresso nacionais e no patriotismo como força moral a inspirar o pensamento construtivo, o trabalho produtivo e as ações altruístas, ingredientes indispensáveis à construção de um grande país. Contrastando com tal posicionamento, em diversas partes do globo, mormente onde o desenvolvimento é elevado, testemunha-se mais do que nunca o culto às cores nacionais. Não o culto ao nacionalismo xenofóbico que tantos males causou ao planeta, mas o respeito aos símbolos da pátria e o sentimento de orgulho pelo que é autóctone e pelas realizações dos antepassados.

Essa visão incorreta de nosso país é mais comum entre os que nasceram a partir da década de 60. De fato, o Brasil já soma trinta anos de estagnação. Desde o primeiro choque do petróleo, em 1973, o crescimento econômico tem sido insuficiente para contrapor-se às demandas do incremento demográfico, afetando a renda per capta e gerando desemprego crescente. Isso faz com que os menores de quarenta anos (que eram demasiadamente jovens em 1973) tenham sempre vivido entre notícias e fatos pouco alvissareiros que lhes tolhem a capacidade de vislumbrar nosso potencial e destino de grande país. 

O paradoxo é que a maioria dos que veiculam esses sentimentos o fazem na certeza de estarem agindo de forma benéfica ao país e ao mundo. Eles parecem desamparados de idéias e de valores onde possam buscar a saída para os problemas que se multiplicam rapidamente. Repetem enfadonhamente as mesmas cantilenas que lhes foram ensinadas ao longo de suas vidas pelas correntes de pensamento majoritárias tidas como politicamente corretas. Agem como que indiferentes às nossas peculiaridades que inexistem em outras nações do planeta. Adotam idéias forjadas em pensamentos importados, nem sempre eivados de boas intenções. Muitos fazem piada de nossa capacidade de levar a efeito mesmo pequenos empreendimentos. 

É preciso que alguém aponte outros rumos. Urge que a maioria desperte desse pesadelo paralisante sonhado em berço de ouro. Torna-se imprescindível examinarmos as razões de nossa estagnação, não apenas no âmbito dos mais intelectualizados, mas no seio do povo, tão iludido ao longo dos anos acerca de tantas verdades. 

É importante que se mencione que não desprezível parcela de culpa pelo quadro descrito pode ser atribuída aos ideólogos, aos políticos e aos religiosos, sempre enfáticos na defesa de seus interesses, sejam eles pessoais ou corporativos. Uns, sem pensarem nas conseqüências funestas de suas atitudes. Outros, ignorantes das reais condicionantes envolvidas nos problemas, para os quais pensam serem portadores da única solução adequada. 

Esse site tem o propósito de discutir esse quadro pouco alvissareiro. Ele nem sempre é perfeitamente visualizado por nós, já que é constantemente matizado com as cores das interpretações facciosas pelos que se interessam pela manutenção do atual estado de coisas que, muitas vezes, lhes beneficia.

Brasileiros de todos os credos e partidos, uni-vos! É preciso resgatar a união nacional e os valores de nossa pátria! A quem pode interessar a desunião e o apequenamento do que é nosso?

Carlos Hernán Tercero

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