Estratégia e Política no Brasil contemporâneo

 

 

 

o Brasil, a Estratégia fica grandemente afetada pela limitação constitucional de  declararmos guerra apenas em caso de agressão estrangeira. Tal limite nos impede de tomar a iniciativa, mesmo em situações onde o fator surpresa seja indispensável, a menos que  não se tome ao pé da letra o significado do termo “agressão estrangeira”. Nossa capacidade dissuasória fica também comprometida com esse pacifismo declarado que não encontra reciprocidade nas ações das grandes potências do planeta. Mormente à luz de nossa geografia e de nossa atual política de relegar as Forças Armadas a segundo plano. Esses fatores tornam possíveis agressões a nosso solo por meio de ações rápidas, (valendo-se do fator surpresa), que podem assegurar a aventureiros o controle de vastos territórios antes que possamos reagir adequadamente. No caso de tal ação estar em compasso com os interesses do primeiro mundo, não é difícil imaginar um obrigatório cessar fogo, congelando situação desfavorável à nossa integridade territorial. Isso soa incompatível com nossa aspiração a grande potência. O citado comprometimento de nosso poder de dissuasão estimula agressões a nosso patrimônio como o ocorrido por ocasião da guerra do Golfo, quando nos foram tomados os investimentos da Petrobrás no Iraque (campo de Mahjnoon). 

Em passado recente, estratégias de desenvolvimento com segurança asseguraram ao país espetacular progresso, que nos fizeram saltar da quinquagésima segunda posição entre as economias do mundo para a oitava... Chegamos a ser apontados como o segundo Estado - Nação em poder percebido (Ray S. Cline - World power assessment: a calculus of strategic drift). Todavia, pouco a pouco, o desenvolvimento de diversos setores vitais a nossas aspirações estratégicas foi sendo sistematicamente neutralizado:

Ante esse quadro desolador, não vislumbramos a adoção de planejamento digno de um Brasil grande. Tudo o que podemos testemunhar são malabarismos políticos destinados a assegurarem a continuidade no poder dos que ora o ocupam. Em suma, a Política de “estagnação sem segurança”, por nós hoje adotada, encontra similar apenas em países sem quaisquer aspirações de alcançar o status de grande potência. E isso parece não despertar maiores preocupações em nossa sociedade... Porque e até quando?

 

 

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