O embargo econômico aos Cubanos

 

 

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ma pergunta que não quer calar e que, frequentemente, retorna às mentes dos estrategistas é: Porque razão os EEUU mantém o embargo econômico (de quase meio século) a Cuba? Podemos lançar mão de muitas respostas disponíveis, porém nenhuma das que já foram publicadas parece totalmente satisfatória.

Quando comparamos a atitude dos norte-americanos em relação ao Vietnam com as restrições que fazem aos cubanos, as dúvidas só fazem aumentar. Senão vejamos:

Seria de se esperar que, em nome da coerência política, até o presente momento, estivessem em vigor restrições de todas as ordens no que concerne a qualquer tipo de relacionamento entre esses dois países. Entretanto, não existem quaisquer medidas especiais em vigor contra o Vietnam, além das rotineiras limitações que os EEUU fazem ao comércio com qualquer outro país. Então, porque a mesma política não seria aplicável a Cuba?

Pesquisando na Internet, encontram-se, inclusive, piadas feitas por norte-americanos acerca dos motivos pelos quais o embargo está sendo mantido. Encontrei as seguintes:

A longevidade da ditadura de Fidel Castro que viola totalmente os princípios defendidos pelos EUA não encontra qualquer explicação lógica. A águia americana já exerceu o intervencionismo na Nicarágua, no Haiti, no Panamá e em Granada, exatamente, para restabelecer os direitos daquelas populações; direitos extorquidos por regimes autoritários ou corruptos. Porque hesita diante da sanguinária ditadura de Castro que já condenou ao paredão mais de dezessete mil cubanos dissidentes? Seriam os direitos dos cubanos inferiores aos dos iraquianos? Como se explica que o mundo testemunhe o cínico e cruel fuzilamento de pessoas comuns, que simplesmente desejavam viver em outro país, sem nada fazerem? Somente o domínio que as esquerdas exercem sobre a mídia pode explicar a impassibilidade da América Latina ante tais crimes prescritos na declaração de direitos humanos. Porém, o domínio da imprensa comunista inexiste nos EEUU. Novamente, não encontramos explicação satisfatória.

Um argumento pró-manutenção do embargo é o de que, se ele fosse levantado sem que Fidel Castro antes se retratasse por seus crimes e restabelecesse os direitos do povo cubano, isso poderia servir de estímulo para que outros países comportassem-se de modo similar e ainda esperassem benesses dos americanos. Todavia, muitos advogam que, justamente, os direitos do povo cubano poderiam ser mais bem defendidos caso as relações diplomáticas fossem plenamente restabelecidas entre aqueles países. Fica claro que a melhoria do comercio refletir-se-ia de modo significativo no seio da população cubana que passaria a ser influenciada por esse raio de cultura americano. A comparação dos estilos de vida capitalista e comunista apressaria certamente a queda de Fidel, mormente agora que findaram os bilhões de dólares a fundo perdido que a URSS enviou a Cuba para transformá-la na vitrine do comunismo (as cifras citadas variam entre 70 e 120 bilhões de dólares! Isso é mais do que toda a ajuda à América Latina).

Quando testemunhamos os rumos da política externa americana em relação à China, aí o assunto fica ainda mais confuso. Esse país é comunista como Cuba, exterminou milhões de pessoas, mais recentemente, matou manifestantes civis, etc. etc. É verdade que Lula também tenta a aproximação com a China, parecendo ter esquecido que sua plataforma política era a de oposição a regimes autoritários. Mas isso é outra história...

Poderíamos continuar a tecer considerações sobre a incoerência da atitude americana em relação a Cuba. Na ONU, apenas três países se opõem ao levantamento do embargo: USA, Israel e as Ilhas Marshall (porque exatamente essas ilhas?), todos os demais países do planeta são favoráveis ao levantamento do embargo. Então porque?

A resposta que também não quer calar é que não se pode afastar a hipótese de que os EEUU teriam interesse em eternizar a ditadura de Fidel Castro. Quais seriam esses interesses?

Para responder essa pergunta temos que refletir:

Considerados esses fatos, fica mais fácil compreender que não se pode afastar a hipótese de que os EEUU possam fazer prevalecer seus interesses nas votações da OEA, pelo aliciamento das pequenas economias caribenhas, acenando para elas com a promessa da eterna manutenção de tão providencial embargo... Assim, podem manter sua aura de defensores das instituições democráticas ilesa.

Certamente, o regime de Castro findará apenas com a sua morte em idade extremamente avançada (e garantida pelos prodígios da moderna medicina norte-americana). E, mesmo nessa hipótese, que não pode ser evitada, não seria improvável que fosse substituído por regime ditatorial da mesma linha arcaica para que se justificasse a continuação de tão conveniente cláusula econômica.

É claro que falamos tão somente de hipóteses. Mas que elas fariam dois e dois serem quatro, isto é inegável.

Carlos Hernán Tercero

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