E agora?

 

 

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ia a dia, vai ficando mais evidente o plano, ao que tudo indica malfadado, do Partido dos Trabalhadores para estabelecer no Brasil um regime populista compromissado principalmente com a permanência no poder de seus atuais ocupantes. Mais um golpe contra nosso destino de celeiro do Mundo. Desde a chegada  de Cabral, muitos outros já ocorreram. Não se sabe se para nosso bem ou para nosso mal, as benesses com que fomos agraciados pelo Criador, que fazem do Brasil o país de maior riqueza potencial do planeta, esmaecem a corrupção, a negligência, a má fé e a incompetência que têm marcado o nosso cenário político diante dessa invulgar capacidade de sobrevivência nacional. Se nossa riqueza por um lado nos auxilia, por outro, fornece uma espécie de salvo conduto aos governantes, tornando quase invisíveis seus censuráveis desempenhos ante os olhos da plebe sofrida, ignorante das favoráveis condições econômicas mundiais que têm propiciado o crescimento até mesmo de economias combalidas.

Assim sendo, as administrações Lula, Fernando Henrique, Collor, etc. conseguiram maquiar-se com camuflagens de honestidade de propósito, aparecendo ante os espectadores leigos em política como salvadores da pátria, ainda que ao preço do prolongamento da miséria do povo, cuja incapacidade em perceber quem são, de fato, seus inimigos só faz fortalecer a ação de aventureiros que disputam, avidamente, quaisquer porções de nossas inúmeras riquezas.

Já está tudo dominado. Mas, e agora? A rotina de escândalos deixou de ser escandalosa, pois os escândalos necessitam de escassez para que sejam realmente escandalosos. No governo Lula, tornaram-se tão rotineiros que mesmo o cinismo com que são varridos para debaixo dos tapetes da impunidade parece já não mais despertar o interesse da população. Respira-se um ar rarefeito de corrupção consuetudinária. O estado de espírito popular descrito no artigoA Demoligoanarquia” exerce seu efeito atenuador de críticas aos desmandos políticos, estimulando o continuísmo dos crimes contra o Estado por parte dos que deveriam impedi-los.

Aqueles que possuem capacidade para discernir o que se passa no país e assimilar o potencial de destruição das estruturas sociais embutido nos exemplos que vêm de cima, alarmam-se.  O crescente despudor da corrupção da coisa pública atemoriza até mesmo os que colaboraram para que chegássemos ao atual estado de coisas. Pessoas como Arnaldo Jabor, (apenas para citar um exemplo) tardiamente, dão-se conta das utopias que defenderam durante suas vidas, alimento principal do monstro que devora a Nação brasileira, destruindo, gradativamente, as espetaculares  conquistas conseguidas por meio do sacrifício de todos os brasileiros. Comunistas de carteirinha e inocentes úteis àquela causa, finalmente, concluem que o muro de Berlin caiu em 1989 e que repúblicas bolivarianas somente podem produzir mais favelas como as cerca de quatrocentos e vinte existentes no grande Rio de Janeiro e as outras tantas que caracterizam a Venezuela e outros países do Continente.

O espetacular sucesso das técnicas de lavagem cerebral exercidas contra o povo brasileiro, abusando das meias verdades (cujas outras metades ficam, a cada dia, mais difíceis de esconder), assemelha-se ao “day after” de uma bebedeira irresponsável, acordando, pouco a pouco, as dores de cabeça dos que participaram da enganosa festividade e agora começam a descortinar todo o mal por eles perpretado contra o povo a quem, com sua embriaguez política, intentavam libertar.

O pêndulo tende a inverter novamente o seu curso pois, sempre que um de seus extremos é alcançado, cada vez maior quantidade de energia se torna necessário empregar para evitar que não o faça. Quanta energia ainda restará às enganosas propostas das esquerdas arcaicas brasileiras? A esperança cede agora ao desespero. Ações de puro populismo, visando o continuísmo, são esperadas. Parece que assistiremos a dissipação do minguado orçamento nacional em espasmos dispersos destinados a simular que existe um plano de desenvolvimento e na continuação da distribuição dos salários da incompetência (ações sociais de eternização da miséria) ao invés da criação de postos de trabalho capazes de remunerar condignamente os atuais órfãos do falecido crescimento econômico brasileiro. 

E agora? Parece não haver saída... De um lado Lula... ou pior, seus órfãos ideológicos, ávidos pelo que ainda ficou por ser destruído. De outro, FH, sua cegueira estratégica e seu entreguismo. O que restará ao Brasil? Meu Deus! Esse povo a cada dia mais desvalido e iludido não merece isto!

Até quando Catilina?

Carlos Hernán Tercero

 

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