O comunismo brasileiro

 

 

 

M

uitas pessoas temem que o comunismo seja implantado no Brasil. Elas imaginam o caos social que isso poderia significar. Afinal, os grupos sociais tendem à anarquia, somente comportando-se dentro de limites em função de temerem a ação repressiva das leis e regulamentos, de buscarem as recompensas inerentes aos procedimentos reconhecidos como virtuosos ou de evitarem serem classificados como pessoas maléficas à coletividade. Essas recompensas, leis e regulamentos normatizam a qualificação do mérito ou do demérito dos indivíduos na sociedade. Assim funciona o nosso atual sistema político que diferencia as pessoas de acordo com suas diversas capacidades.

Por outro lado, os que defendem a implantação do comunismo como solução para os problemas da humanidade alegam justamente o oposto. A implantação da comuna universal traria a solução para os atuais problemas sociais que contribuem para dividir a sociedade entre os que têm e os que não têm. A eliminação das classes sociais igualaria o tratamento dispensado a todos os cidadãos os quais usufruiriam livremente dos direitos que, segundo eles, agora beneficiam apenas a burguesia.

A comunização do Brasil, significaria, pois, o fim das diferenças no tratamento de indivíduos desiguais, passando o esforço pessoal de cada um pela obtenção de maiores qualificações a nada significar em termos de ganhos a serem obtidos. Seria o triunfo das ações destinadas a anularem progressivamente os valores de nossa tradicional sociedade, ações estas que, diga-se de passagem, os últimos governos de esquerda têm apoiado ou tolerado. Seria o estímulo à inércia e à lei do menor esforço.

Positivamente, esses dois grupos de pessoas jamais se entenderam, chegando a, em passado recente, recorrerem à luta armada para fazerem valer suas idéias. Tal dissensão tem contribuído negativamente para a coesão nacional com graves prejuízos ao progresso de nosso país. 

Mas, alegrem-se os que se preocupam com essa questão! Seus problemas estão resolvidos! O comunismo já foi implantado, a nível nacional, em significativo setor de nossa sociedade dita de consumo!

Em tal segmento, todos são igualmente poderosos, todos dispõem de bens materiais equivalentes, todos estão sujeitos às mesmas dificuldades e às mesmas oportunidades. Nenhuma repressão é exercida de modo diferenciado. Cada um pode agir e pensar livremente. Quaisquer idéias podem ser implementadas no momento em que são imaginadas. Não há muros nem excluídos. Não há classes. Todos são iguais.

Esse lugar existe em nosso Brasil? Sim e em todos os municípios. Esse setor de nossa sociedade é: o trânsito de viaturas nas vias públicas. Alguns poderiam alegar que existem diferenciações na performance dos meios de locomoção. De fato, elas existem. Todavia, isso somente tem algum significado quando se transita em rodovias de alta velocidade. Nas condições normais, não se consegue trafegar com velocidades superiores a oitenta quilômetros por hora. Em alguns locais, quarenta quilômetros por hora são considerados excelente performance! Isso faz com que todos tenham exatamente as mesmas possibilidades e as mesmas limitações. Exatamente como preconiza o comunismo.

É com base no testemunho do modus operandi desse modelo que podemos tirar algumas conclusões práticas acerca de como seria a implantação dessa ideologia no Brasil, já que, teoricamente, ela propugna a adoção de cenário similar ao já existente nas vias públicas das cidades de nosso país.

Vejamos alguns exemplos das cenas a que todos estão habituados no ir e vir diário entre dois pontos de nossas aprazíveis artérias viárias. È comum no trânsito das grandes cidades encontrarmos:

Essas cenas quotidianas auxiliam-nos a antever como seria o advento do comunismo como regime político em nosso país. Basta que você empregue a sua imaginação e faça analogias, transpondo as cenas de nosso trânsito para outros segmentos de nossa sociedade.

Existe, também, um outro local onde a ideologia comunista já foi implantada e que abrange um número bem maior de indivíduos do que os que freqüentam o trânsito: as praias. Vejamos algumas imagens que se formam em nossas mentes ao lembrarmo-nos desses aprazíveis locais (além das belas imagens femininas costumeiras):

Mas, lembrem-se: a praia e o transito são cenários evitáveis. Somente teremos que usufruir daquilo que oferecem quando lá vamos. Todavia, a implantação do comunismo, certamente, faria com que comportamentos semelhantes passassem a fazer parte de nossas vidas vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.

Conforme dissemos, os modelos citados (as praias e o trânsito de veículos) foram escolhidos por sua semelhança com o que propugna a ideologia comunista. Nesses modelos todos são tratados de forma semelhante e possuem direitos iguais independentemente de seu status social. É isso o que pretende o comunismo com a liquidação dos burgueses e a implantação da ditadura do proletariado. Eles intentam a eliminação de todos os patrões, transformando o mundo numa grande comuna universal onde não existam classes sociais:

“Em lugar da antiga sociedade burguesa, com suas classes e antagonismos de classe, surge uma associação onde o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos”. (Manifesto Comunista)

Mas, como vimos nos modelos trânsito e praia, toda igualdade é extremamente caótica e mesmo o mais convicto comunista concordará em que esse estado de coisas dificulta a condução de qualquer empreendimento a bom termo. Todos compreendemos os males da igualdade dos desiguais quando dirigimos nossos carros no trânsito urbano ou desistimos de comparecer à praia.

Mas, os comunistas também sabem disso. Assim, uma vez conquistado o poder, os regimes marxistas instauram a mais terrível opressão. De outra forma, a anarquia que sempre advém da eliminação das classes tenderia a destruir toda a sociedade e a torná-la ingovernável.

Paradoxalmente, essa repressão cria o que intentavam remover das relações sociais: reprimidos e repressores. Essas são as novas classes que surgem em lugar das tradicionais eliminadas pela ascensão do proletariado.

Por isso, é que não creio que o comunismo possa trazer algo de bom a qualquer país.

Carlos Hernán Tercero

© todos os artigos deste site podem ser reproduzidos desde que sejam citados o autor e a fonte.