Como as esquerdas atravancam o progresso do Brasil

 

  

U

m grande filósofo do planeta X preconizava mudanças radicais. Ele não se conformava com a insuficiência de riqueza para todos. Segundo seu raciocínio, tudo se devia a um errôneo conceito matemático. Ele havia descoberto que todos aceitavam e conviviam com um grave erro dessa ciência. Escreveu enorme tratado que partia do princípio que 1 + 1 = 5 e não 2, provando que essa era a causa principal do infortúnio que atingia grande parcela da população menos assistida.  É claro que os que aceitavam suas idéias concluíam que 2 + 2 = 10 e 5 + 5 = 25. Mas, infelizmente isso não funcionou, e diversas contas começaram a apresentar resultados inesperados e incorretos. Logo surgiram bacharéis que demonstraram que, se 1 + 1 = 5 é porque qualquer soma é sempre acrescida de 3 unidades e, logo, 2 + 2= 7 e 5 + 5 = 13. Mesmo assim, com esse novo caminho as coisas não funcionaram corretamente. Isso fez com que inúmeros outros cientistas, habituados aos ensinamentos do velho filósofo, reagissem prontamente, publicando que, de fato, 1 + 1= 5, isso porque o resultado de qualquer soma é sempre igual a cinco vezes o valor de uma das parcelas e, logo, 2 + 2 = 10 e 5 + 5 = 25, conforme o grande guru filosófico sempre havia defendido. Porém, todos os que adotavam tal equação encontravam grandes dificuldades em progredirem nos seus estudos matemáticos, chegando sempre a incontornáveis problemas. Todavia, grande popularidade marcava as idéias do filósofo, já que todos estavam sequiosos da abundância de suas equações. Pior do que tudo, é que era muito difícil discutir com os adeptos dessa inconsistência, pois nenhum matemático conservador conseguia articular qualquer raciocínio partindo do pressuposto de que 1 + 1 = 5. Dessa forma, os adeptos do filósofo conseguiam demonstrar que a argumentação de seus opositores estava eivada de erros junto aos menos favorecidos pelos números.  Ninguém percebia que se 1 + 1 = 5, logo, ½ + ½ = 2,5 e, por isso mesmo, 1 deveria ser igual a 2,5, o que, claramente, todos compreendiam que não poderia corresponder a uma verdade matemática.

Essa parábola lembra o que se passou com as idéias marxistas. Em seu Manifesto Comunista, Marx e Engels partem do pressuposto de que todas as injustiças sociais estão emolduradas por uma luta de classes que há milênios marca o relacionamento entre os seres humanos, incluindo o império romano, o sistema feudal e as atuais relações entre burgueses e proletários.

“Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase pôr toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta às que existiram no passado. Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se pôr ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado”. (Manifesto Comunista – Marx e Engels)

Marx e Engels não enxergaram as profundas diferenciações existentes entre os seres humanos. Tanto a burguesia como o proletariado não são clubes fechados. Um burguês mal sucedido pode se transformar num proletário e um proletário bem sucedido pode se transformar num burguês. Há proletários que se sentem felizes em serem proletários por reconhecerem a sua própria incapacidade de galgarem outras posições na sociedade. De acordo com o Manifesto Comunista:

“A luta do proletariado contra a burguesia, embora não seja na essência uma luta nacional, reveste-se, contudo dessa forma nos primeiros tempos. É natural que o proletariado de cada país deva, antes de tudo, liquidar sua própria burguesia”.

“numa revolução aberta e o proletariado estabelece sua dominação pela derrubada violenta da burguesia”

“Isto naturalmente só poderá realizar-se, a principio, pôr uma violação despótica do direito de propriedade e das relações de produção burguesas, isto é, pela aplicação de medidas que, do ponto de vista econômico, parecerão insuficientes e insustentáveis, mas que no desenrolar do movimento ultrapassarão a si mesmas e serão indispensáveis para transformar radicalmente todo o modo de produção. Essas medidas, é claro, serão diferentes nos vários países”.

Mas, o assassinato de todos os burgueses conforme preconiza o Manifesto Comunista apenas causaria o desemprego de todos os proletários, pois são os burgueses que lhes empregam.

“Por burguesia compreende-se a classe dos capitalistas modernos proprietários dos meios de produção social que empregam o trabalho assalariado. Por proletários compreende-se a classe dos trabalhadores assalariados modernos, que privados de meios de produção próprios, se vêem obrigados a vender sua força de trabalho para poderem existir”. (Nota de F. Engels à edição inglesa de 1888).

Essa supressão somente poderia ser eficaz caso 1 + 1 fosse igual a 5, ou seja, caso todos os seres fossem igualmente capacitados, igualmente motivados, igualmente honestos, igualmente desambiciosos e igualmente altruístas. Como isso não é verdade, mesmo que se instalasse uma grande comuna planetária, para que se pudesse organizar e controlar a produção (o que é imprescindível para a sobrevivência de todos) a alguém teria que ser atribuída autoridade e responsabilidade por isso. É justamente a capacitação para exercer autoridade e assumir responsabilidades que faz com que surjam diferenciações entre pessoas. Desse modo, mesmo com o advento da utópica comuna surgem classes de pessoas que mandam e que obedecem, conforme foi exaustivamente verificado na antiga URSS, onde os membros do partido comunista tudo possuíam enquanto o povo padecia no trabalho obrigatório nas fazendas modelo (que causaram milhões de mortes de proletários e burgueses indistintamente).

Um mais um sempre serão dois. Os seres humanos se diferenciam na mesma medida de seus atributos. Uns são agressivos, outros pacíficos. Uns possuem maior inteligência que outros. Uns são bonitos, outros são feios. Uns são gordos, outros são magros. Uns são bondosos, outros cometem assassinatos. Uns são preguiçosos, outros são empreendedores. Uns gostam de amarelo, outros de azul. E é justamente essa diferenciação que quebra a monotonia da existência e constitui o mistério da vida nesse planeta. É justamente essa diferenciação que estabelece outra que sempre existirá: a do ponto da escala de merecimento no qual somos inseridos. Quem é o responsável por essas limitações a que todos estão, em maior ou menor grau, sujeitos? O DNA? Deus? O acaso? O meio ambiente? Os desafios a superar? É necessário que cada um de nós formule uma resposta a essa questão. Mas, seja lá quem for o responsável, o fato é que tais diferenciações existem e não se conhece uma forma de suprimi-las. Nem com o advento da comuna planetária de Marx e Engels.

A incitação à luta entre os seres humanos tem cerceado, no Brasil, todas as idéias de construção de um grande país que dependem, é claro, da união nacional contra a qual se voltam os ideais comunistas. A destruição do Estado Brasileiro e a sua substituição pela República Internacional dos Sovietes já não assusta mais ninguém em face da total falência da URSS. Infelizmente, parece que as esquerdas brasileiras não se reciclaram, continuando a provocar divisões internas e a canalizar o pensamento das massas contra os valores nacionais em prol da ditadura do proletariado. 

O pior é que as definições de burguês e de proletário são bastante imprecisas e totalmente desatualizadas. Muitos proletários (que vendem sua força de trabalho) são também burgueses (empregam trabalho assalariado). Esse é o caso dos trabalhadores que, além de trabalharem empregam outros trabalhadores. Esse é o caso dos médicos que possuem clínicas e de muitos outros seres humanos. Esse é o caso dos vendedores ambulantes que possuem empregados, etc... Essa linha cinzenta que separa proletários de burgueses finda por causar a completa desunião e, pior, o desinteresse nacional no que concerne à concretização de quaisquer ideais voltados para a grandeza da Nação.

Todavia, muitos lucram com a falta de coesão nacional: os burocratas, os corruptos, os políticos oportunistas, os criminosos, os estelionatários e, principalmente, os esquerdistas de direita. Esses últimos, sob o pretexto de condenarem o status quo, ficam com a vantagem de atribuírem a culpa por qualquer coisa à ação das direitas, culpadas pelos males do mundo.

Mas, as esquerdas assumiram o poder. Isso lhes trouxe um grande problema: Até quando poderão inventar malabarismos ideológicos para justificarem sua incapacidade de conduzir a Nação brasileira a seus grandes destinos?  Até quando poderão, valendo-se da cumplicidade da mídia, contarem a metade das verdades à população cada vez mais insatisfeita? Já não lhes resta a hipótese de assassinarem os burgueses, já que não os identificam claramente (e muitos deles também o são), a não ser em alguns poucos casos em que também não os conseguiriam atingir, pois sua condição lhes asseguraria os meios para escaparem de seus possíveis algozes.

Assim, tanto Marx como Engels, onde quer que estejam, devem ter concluído que suas idéias extremas, derivadas do testemunho de fatos desumanos que não mais existem e apoiadas na deturpação proposital de dados favoráveis ao capitalismo, findaram ocasionando a morte de cem milhões de burgueses e proletários e uma situação econômica caótica, que era justamente o que pretendiam corrigir.

Proletários de todo o mundo! Percebam que a burguesia é o destino de todos os proletários e o sistema político perfeito (nesse mundo de imperfeições e diferenças) é o que oferece aos proletários a oportunidade de conquistarem as posições burguesas por meio de sua própria determinação. Os desiguais devem ser tratados desigualmente na mesma proporção em que se desigualam, desde que se lhes assegure os benefícios constantes da declaração universal dos direitos dos seres humanos.

O comunismo falha quando suprime a esperança. A esperança é o combustível da vida. Se todos fossem iguais e seu trabalho fosse igualmente remunerado pela sociedade, não haveria a esperança de melhorar. A monotonia tomaria conta de tudo. São as vicissitudes da vida que geram a esperança. São as desigualdades que geram a felicidade, pois ela é feita de conquistas conseguidas com muito esforço. O que os seres humanos desejam é ocupar a parte mais bem aquinhoada da sociedade e não acabar com ela. O que importa é que existam meios para se ascender em termos de qualidade de vida. O paradoxo do comunismo é que tão logo ele seja alcançado, todos serão igualmente pobres, exceto os dirigentes do PC que em seu fechado clube decidem o direito de todos de serem igualmente pobres e em que campos de trabalho forçado exercerão esse direito. A leitura de Arquipélago Gulag, de Solestzinj, assim o denuncia.

No afã de condenarem os governos militares, as esquerdas denegriram os valores nacionais, ocasionando a descrença dos jovens em nossa capacidade como país empreendedor e em nosso futuro como celeiro do mundo. Isso está a atravancar o nosso progresso.

Carlos Hernán Tercero

© todos os artigos deste site podem ser reproduzidos desde que sejam citados o autor e a fonte.