Cícero

A política e a espiritualidade

 Baseado no livro “A República”, de Cícero.

 

 

I

 

Q

uando relemos “A República” de Cícero, constatamos que, desde aqueles tempos, as coisas pouco mudaram no que diz respeito aos vícios da sociedade em relação ao exercício do poder político. A atualidade desse livro faz com que se assemelhe a uma coletânea de artigos extraídos dos jornais de hoje. Defendeu Cícero, naquela crítica, uma forma de governo mista, tanto monárquica, quanto aristocrática, quanto democrática, condenando, todavia, cada uma delas quando adotada isoladamente. Eis algumas de suas pérolas:

Toda coisa do povo (res publica) necessita, para ser duradoura, ser regida por uma autoridade inteligente que sempre se apóie sobre o principio que presidiu a formação do Estado”.

Segundo ele, esse governo pode ser atribuído a apenas um homem (monarquia), a um grupo de homens escolhidos - mormente pela sua sapiência (aristocracia) ou ser entregue à sabedoria popular. Qualquer deles pode ser bem sucedido caso seja mantido “o vínculo que primitivamente uniu os homens em sociedade”. Todavia, ressalva que, tanto nas monarquias quanto nas aristocracias, o povo fica alheio às decisões que lhe afetam. Afirma ainda que:

Quando o povo assume todo o poder, mesmo supondo-o sábio e moderado, a própria igualdade se torna injusta desigualdade, porque não há gradação que distinga o verdadeiro mérito”.

Vemos que Cícero, provavelmente dotado de dons mediúnicos, o que se pode depreender pela leitura das últimas páginas dessa obra, já profetizava os males do erro de análise de sistemas denominado comunismo.

Chegar em nome da igualdade à desigualdade mais injusta, colocar no mesmo nível o gênio e a multidão que compõem um povo, é suma iniqüidade a que nunca chegará um povo em que governem os melhores, isto é, numa aristocracia”.

Condenou o governo das massas que, em sua opinião, sempre conduziu os povos à ruína:

“Da excessiva liberdade surge o tirano e a mais injusta e dura servilidade. Com efeito, esse povo indômito e desenfreado escolhe logo, por ódio aos grandes, já abatidos e degradados, um chefe audaz, impuro, perseguidor, insolente dos cidadãos que mais mérito possuem para com a pátria, pródigo com os bens próprios e alheios; depois, como não há, para ele, segurança na vida pública nem privada, é cercado de soldados, confere-se-lhe o poder, e acaba por ser, como Psístrato (tirano de Atenas) de Atenas, tirano daqueles mesmos que o elevaram”.

Mas, condenou também a oligarquia:

Essa forma excelente de governo é desacreditada pelos falsos juízos do vulgo (povo), que, não sabendo discernir o verdadeiro mérito, que é tão difícil, talvez, de discernir quanto de possuir, imagina que os melhores homens são os mais poderosos, os mais ricos ou de mais ilustre nascimento. Uma vez que esse erro do povo tenha dado ao poderio as preeminências da virtude, os falsos “aristocratas” procuram obstinadamente reservar para si esse qualificativo, que de maneira nenhuma lhes cabe; porque as riquezas, o nome ilustre, o poderio, sem a sabedoria que ensina os homens a se governarem e dirigirem os outros, nada mais são do que uma vergonhosa e insolente vaidade; não há no mundo espetáculo mais triste que uma sociedade em que o valor dos homens é medido pelas riquezas que possuem”.

Apesar de simpático à monarquia, considerou que ela sempre incluiria o risco do Rei tornar-se o Tirano, movido por “seu orgulho despótico”, podendo “o seu juízo arrogante se impor à multidão covarde e débil”. Preveniu que “a liberdade não se estriba em ter um bom amo, mas em não o ter”.

Quanto à demagogia citou Platão que afirmara que:

Quando o povo devorado por uma sede insaciável de independência, longe de beber com medida, embriaga-se com o licor funesto que lhe prodigalizam imprudentes aduladores, então persegue, acusa, incrimina de dominadores, reis e tiranos aos magistrados e chefes que, dóceis e complacentes, não lhes escanceiam em caudais a liberdade”.

Obedecer, então, a uma autoridade é exercitar ainda mais a cólera do povo, que chama os que assim procedem de escravos voluntários; os magistrados, ao contrário, que fingem descer ao nível dos simples cidadãos, e estes que se esforçam para suprimir toda a diferença entre eles e os magistrados, vêem-se cumulados de honras e de elogios. Numa República assim governada, a liberdade transforma-se em licença, a própria família fica, no seu interior, desprovida de autoridade, estendendo-se esse contágio aos próprios animais. O pai despreza o filho, e este deixa de honrar o pai. Perece o pudor em nome da liberdade geral; nada separa o cidadão do estrangeiro; o mestre, tremendo ante seus discípulos, adula-os, ao passo que eles o menosprezam; os jovens pretendem exercer as prerrogativas dos velhos, que, por sua parte, descem a loucuras da juventude para não parecerem odiosos e extravagantes. Os próprios escravos participam dessa libertinagem; reclamam as mulheres idênticos direitos aos de seus cônjuges; em suma, os próprios animais, os cães, os cavalos,  os asnos, correm livremente, mas tão livremente que atropelam e envolvem quantos se opõem a sua passagem desenfreada. Aonde conduz esse extremo de licença? Ao triste resultado de tornar os cidadãos tão delicados e sombrios que a menor aparência de autoridade os irrita e exaspera a tal ponto que sonham com romper as leis que desprezam, para se encontrarem livres de qualquer jugo.”

Enfatizou a necessidade de ampla união de interesses comuns, de inexistirem injustiças sociais e de todos terem iguais direitos para que possa vigorar uma democracia estável: 

Quando reina a concórdia, nada existe mais forte, nada mais duradouro do que o regime democrático, em que cada um se sacrifica pelo bem geral e pela liberdade comum”.

Concluiu que:

Ao rei sucede o tirano, aos aristocratas, a oligarquia facciosa; ao povo, a turba anárquica; substituindo-se desse modo umas perturbações a outras. Ao contrário, nessa combinação de um governo em que se amalgamam os outros três, não acontece facilmente semelhante coisa sem que os chefes do Estado se deixem arrastar pelo vício; porque não pode haver pretexto de revolução num Estado que, conforme cada um com os seus direitos, não vê sob seus pés aberto o abismo”.

De fato, enquanto houver esperança não haverá revolução e a forma ideal de governo, o que é hoje aceito pela maioria, é aquela na qual nenhum participante exerce o poder absoluto.

É ponto pacífico, entretanto, que jamais haverá um modelo político que satisfaça a todos. Essa é a conclusão a que se chega ao analisarmos o problema sob a ótica do sistema no qual estamos imersos e que é por tantos ignorado. É aí que reside o problema. Quando discutimos as vantagens e desvantagens de uma determinada forma de governo, quase sempre o fazemos sob a ótica de um sistema ignorado por nossos interlocutores, que reside apenas em nossas mentes, mas que determina nossas conclusões. Esse sistema incógnito é a forma como enxergamos o propósito e as condicionantes da vida. Acerca dele, poucos se atrevem a falar, entretanto, é ele que define o nosso posicionamento em relação ao tema. Nossas conclusões políticas irão diferir, na mesma magnitude em que diferem suas peculiaridades.

Assim, parece indispensável definirmos tal sistema antes de qualquer debate sobre o assunto. Isso fará com que discutamos o âmago de nossas idéias ao invés de evoluirmos em conversações que escondem o verdadeiro alicerce que as sustentam, o que finda condenado o debate à esterilidade.

Na página: “Esquerda, Direita e Religião” esse assunto foi mencionado de modo rudimentar. Aqui, definiremos um sistema para balizar nossa análise e reorientar as dissensões acerca do tema. Assim, logo emergirão os porquês das discordâncias de natureza política. Adotaremos o seguinte sistema:

1.    Os humanos são espíritos dotados de roupagem carnal destinada a lhes servir de desafio terreno à sua própria evolução.

2.    Nossos espíritos estão condenados ao progresso, estando sujeitos à reencarnações sucessivas até que alcancem a evolução espiritual necessária, ou seja, estão condenados à vida temporária no planeta Terra. No capítulo final da República de Cícero, encontramos o seguinte diálogo: “Perguntei-lhe se ainda viviam todos os que julgávamos mortos: respondeu —Dize antes que vivem só aqueles que os vínculos do corpo conseguiram romper como as grades de uma prisão; verdadeiramente não passa de morte o que chamais de vida. Como prova, olha teu pai Paulo, que para ti vem. — Ao vê-lo brotou-me dos olhos um caudal de lágrimas; ele, porém, com abraços e ósculos de amor, impediu que eu chorasse.”

3.    As reencarnações dão-se por prova ou por missão.

4.    A condição terrena dos humanos é o espelho de seus méritos quando reencarnando por prova.

5.    As reencarnações por missão variam de acordo com a amplitude dessa missão, que pode referir-se a uma só pessoa, a um grupo de pessoas, ou a toda a humanidade, como no caso dos grandes missionários religiosos. 

6.    A evolução e o estado de espírito dos humanos são marcados pela cor de suas auras detectáveis pelo mundo espiritual.

7.    Os humanos são sempre acompanhados por espíritos simpáticos às cores de suas auras, além de outros que lhes servem de mentores e protetores.

8.    Todos os espíritos estão galgando uma mesma escada de evolução, uns ocupando degraus mais elevados do que outros. Os que estão nas posições superiores, ontem estiveram mais abaixo.

9.    Os espíritos encarnam em todas as raças. Discriminação racial é a ignorância ou a não aceitação desse fato. Por isso, a ninguém é dado, por ser ilógico, alegar pertencer a essa ou àquela raça ou odiar essa ou aquela raça.

10.   Não pode haver justiçamento na Terra, já que desconhecemos todos os fatos relacionados à nossa presente condição. As leis devem servir para evitar males e não para punir indivíduos que praticaram atos condenáveis.

11.    Deus é um só, mas é conhecido por muitos nomes. Seus atos são justos. Ele é onipresente, onisciente e onipotente, empregando para tal o concurso de outros espíritos. Sua justiça se faz pela lei de causa e efeito, ou seja, nossa condição é fruto de nosso passado espiritual.

12.    O planeta cumpre a destinação de servir de cenário às diversas provas a que estamos todos submetidos e é, pela natureza delas, influenciado.

13.   A morte não existe para os espíritos, tão somente para seu envoltório carnal.

14.   A crosta terrestre está envolvida pelo “umbral” – dimensão contígua na qual residem os espíritos que não aceitam:

15.   Esses espíritos ainda se comprazem com os vícios aos quais se acostumaram em suas existências terrenas e são escravizados pelos chamados “magos negros” que governam o umbral e detêm relativo poder sobre eles, empregando-os para causar males aos seres humanos encarnados.

Uma vez definido tal sistema, removem-se as discussões políticas estéreis, todas decorrentes das divergências de pensamento (nem sempre confessadas e compreendidas) acerca desse assunto. É claro que aqueles que discordam do sistema definido discordarão, na mesma medida, das conclusões a que chegará o presente ensaio.

 

II

 

A democracia é, no dizer de Churchill, o pior dos sistemas políticos excetuados todos os outros. Todavia, o Estado onde impera a real democracia, se é que isso pode existir, assemelha-se a uma casa onde, na hora das refeições, todos se alimentam apenas de doces e sorvetes e ninguém freqüenta a escola, nem trabalha, já que os pais são a minoria. Isso recomenda que o povo não seja capaz de exercer o poder de decisão, conforme pensava Cícero, embora a este deva ser assegurada a capacidade de lutar contra as injustiças sociais. As democracias procuram evitar os males decorrentes do poder do povo pela representatividade de seus votos e pela divisão de poderes modelada por Montesquieu entre o legislativo, o executivo e o judiciário:

"Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou a mesma corporação dos príncipes, dos nobres ou do povo exercesse três poderes: o de fazer as leis, e de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as desavenças particulares”.De fato, nas democracias toda a liberdade concedida ao povo é possuir "o direito de fazer tudo quanto as leis permitem".

Essas restrições comuns aos regimes democráticos enquadram-se perfeitamente no sistema anteriormente citado. Senão vejamos: se todos os seres humanos possuem diferentes graus de evolução espiritual e agem em função deste grau, seria bastante lógico que fossem tratados de modo diferenciado estabelecido em leis justas segundo uma escala de mérito. O poder atribuído a cada um deveria ser proporcional a esse mérito. Tal sistema seria o menos imperfeito que se pode imaginar, pois apenas a compreensão e a aceitação pela maioria do propósito da vida poderiam torná-lo quase perfeito. Ou seja, o sistema teria que conviver com a oposição daqueles que não aceitassem trilhar os caminhos do esforço próprio na busca da melhoria de sua condição material e espiritual. Esses tudo fazem para encontrar “atalhos” nesses caminhos, a custa do que quer que seja, desde que alcancem o que buscam, imerecidamente.

Portanto, nas democracias, o progresso de cada um dentro do sistema material deveria refletir o seu mérito dentro de uma escala de valores pré-estabelecidos e por todos conhecidos. Todavia, esse tratamento desigual teria que se submeter às palavras do Mestre: “amai-vos uns aos outros”, devendo ser garantidos os direitos mínimos de todos à saúde, à educação e ao trabalho e ampla oportunidade de ascensão social discriminada apenas pelo mérito individual. As imperfeições que encontramos nas diversas democracias podem ser atribuídas à descrença de muitos no sistema adotado nesse trabalho e pela idealização de outros utópicos, autoritários ou anárquicos. Na verdade, todos os males do mundo e não somente os das democracias decorrem da não aceitação pela maioria do fato de que estamos todos vivendo segundo o sistema descrito.

Cícero assim sintetiza essa assertiva:

“Fica sabendo que não és mortal, mas teu corpo, porque não és o que pareces por sua forma. O homem está na alma, e não naquela figura que com o dedo se pode mostrar. Cultiva em tua alma a justiça e a piedade que devem ser grandes para com os parentes e os amigos, e mais sagradas ainda para com a pátria. Esse e não outro é o caminho das mansões celestiais, em que os que já viveram livres de todo laço e ligação vêem girar os mundos e passar os séculos num eterno dia sem crepúsculo”.

Quanto ao comunismo, fica claro que se tratou de erro de análise de sistemas, já que não podemos controlar a qualidade dos seres humanos que se diferenciam segundo seu grau de evolução espiritual. Para que a comuna universal funcionasse, seria necessário que todos fossem igualmente evoluídos e dotados por isso mesmo de alto grau de altruísmo, o que sabemos não corresponder à verdade.

A monarquia poderia funcionar, caso os monarcas detivessem apenas reduzida porção de poder, ficando o parlamento com a responsabilidade de governar e sendo os seus membros eleitos em eleições populares. O poder do monarca deveria depender de decisão popular aferida por meio de referendos periódicos, nos quais seria determinado o número de votos necessários à aprovação pelo poder legislativo dos projetos do executivo. Isso asseguraria a possibilidade de transferência de poder do monarca para o parlamento, sempre que necessário, podendo o número de votos para a aprovação dos projetos de lei variar desde a maioria simples, até o imperativo da unanimidade do parlamento, ficando o monarca como que impedido de exercer o poder. A vantagem da monarquia é a de assegurar a capacitação de um indivíduo para o mando - o monarca - que pode ser preparado desde os primeiros anos de sua vida para o exercício do poder político. Isso livra a Nação do flagelo de ser governada por aventureiros, demagogos, fanáticos, despreparados e, principalmente, da possibilidade de um ser humano ser eleito em função da sua riqueza, de sua popularidade ou simpatia ou de um bom marketeiro, ao invés de pelos méritos de seu plano de governo e pela sua capacidade de levá-lo a bom termo.

Quando abandonamos o sistema definido nesse trabalho, abandonamos também o conceito de um Deus justo, o que sugere que a política dos Estados-Nação deve ser exercida não para evitar a ocorrência de males em termos planetários, mas para assegurar o bem estar máximo dos nacionais em detrimento dos estrangeiros. O egoísmo passa a exercer a sua capacidade maléfica nos relacionamentos entre os Estados, tornando-se preponderante nas respostas aos diversos questionamentos. Alguns chegam ao extremo de atribuir as desventuras de determinadas Nações a uma espécie de punição divina pela prática de outros costumes religiosos, considerando que tais desventuras seriam, assim, benéficas por exercerem uma espécie de chamamento daquelas culturas para os ditos caminhos de Deus.  Afinal, pensam que “Deus é fiel” e que funciona como se fora um título da bolsa de valores - se você investir nele, seu retorno material será garantido, já que pressupõem que todos são exatamente iguais e têm o mesmo merecimento espiritual.

Tão somente a crença no sistema de reencarnações múltiplas nos revela a justiça divina em seu funcionamento pleno, infalível, inexorável, incontornável que faz com que nossos egoísmos atuem de modo a que auxiliemos nosso próximo, única forma de alcançarmos a nossa própria felicidade. Essa crença remete todo o poder a Deus, retirando-o dos Homens e explicando porque os cristãos que conheceram o Mestre morriam cantando perante os leões que lhes rasgavam o corpo, fato que, para a maioria, constitui mistério e que, dificilmente, se repetiria em nossos dias.

Qualquer outro modo de pensar nos conduz ao sistema terreno da lei do mais forte que prevalece até hoje, o qual, mesmo maquiado por leis ineficazes e sistemas de mérito hipócritas que procuram esmaecer as cores fortes da intolerância, da arrogância e da parcialidade, nos submete ao arbítrio dos poderosos e às desigualdades sociais. É esse sistema que Cícero demonstrou conhecer e que explicitou em sua obra:

Todos os que socorrem salvam ou engrandecem a pátria tem no céu um lugar marcado e certo, no qual desfrutarão felicidade e beatitude sempiternas; porque nada é mais grato a Deus, a esse Deus que a todos governa, do que essas sociedade de homens formadas sob o império do direito, que se chamam Estados”.

Porque os homens foram gerados com uma lei que hão de cumprir: a de cuidar daquele globo que vês no meio deste templo e que se chama terra. Eis porque tu e todos os homens piedosos estais sujeitos à tirania do corpo, sem poderdes abandonar o sítio que vos foi indicado nem deixar a vida sem serdes desertores da tarefa indicada por Deus”.

No Brasil de nossos dias, assistimos com regularidade a gênese de forças diversas, todas alegando defenderem a justiça para seus correligionários, prometendo-lhes o paraíso na terra. Essas forças surgem na mesma medida do abandono do exercício da autoridade por parte de quem deveria exercê-la. Elas chegam a valer-se do nome de Deus em busca de fortalecimento como instituições políticas. Elas ridicularizam os que contra seus falsos valores se voltam. Preconizam a revogação das desigualdades espirituais entre os homens, buscando igualar sua capacidade de mando à revelia do requisito de serem capazes de bem o fazê-lo. Concluem que se deve tomar sorvete ao invés de ir à escola. A expansão dessas forças é alimentada pela indiferença dos poderosos ante os padecimentos do povo e pela inércia dos políticos que freia as iniciativas dos que tentam minorá-los.

Precisamos lhes mostrar que estão errados. Precisamos de algo que não seja somente palavras. Precisamos enfrentar a opinião da maioria descrente nos valores espirituais. Não devemos nos atemorizar das críticas que a nós serão dirigidas. Recordemos as palavras de Cícero:

Se quiserdes fixar teus olhares na altura e no interior deste eterno santuário, desdenha as palavras do vulgo, deixa de estar dependente delas e de esperar recompensas aos teus atos humanos, e procura fazer que só o atrativo da virtude te conduza à verdadeira gloria. Julguem os homens e falem de ti como lhes aprouver: as suas palavras não transporão as estreitas regiões terrestres que vês, nem se renovará o seu eco;  morrerá com uma geração extinguindo-se no esquecimento da posteridade.” 

É preciso restabelecer a verdade acerca do exercício do poder de Deus sobre os seres humanos. É necessário que compreendamos que nós somos a criança cega que não pecou, da mesma forma como nossos pais não pecaram nessa vida, mas que nosso sofrimento é assim para que assim em nós se manifestem as obras de Deus, por meio do justo mecanismo das reencarnações sucessivas.

O planeta nos serve de cenário e espelha o reflexo de nossos atos políticos. Apenas com nosso progresso espiritual o mundo poderá amenizar seus cenários. Auras mais belas em grande quantidade de seres humanos atrairão para cá cada vez mais os espíritos superiores. Tudo funciona como numa causação circular cumulativa. Quanto mais mal fizermos, mais mal atrairemos para o planeta. Quanto mais bem semearmos, mais o planeta se aperfeiçoará e nos trará melhores retornos por nossas ações bem intencionadas. Assim, que ninguém se admire do que vai por ai. Tal quadro é apenas o amargo resultado dos atos humanos. São os frutos das árvores doentias plantadas por muitos, regadas com tanto empenho, diariamente, pelas águas do desinteresse generalizado acerca da evolução espiritual e da ignorância do propósito da vida.

ibatan

  

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