Cai o pano?

 

  

 

U

m brasileiro foi assassinado covardemente pela polícia britânica em Londres. Foi ato hediondo, inaceitável, todos hão de concordar. Durante dias, a mídia considerou o fato como ingrediente obrigatório em todos os noticiários de jornais, emissoras de rádio e de televisão. O enterro do jovem emigrante revestiu-se de importância nacional. Ministros pronunciaram-se. O presidente telefonou apresentando condolências à família. Foi decretado feriado na cidade. Houve algo de estranho nisso? É claro! O fato de que coisas assim ocorrem aqui, diariamente, em muito maior número e em condições muito mais injustas. Pessoas que nem sequer são consideradas suspeitas pela polícia são vitimadas por balas perdidas, policiais e delinqüentes assassinos. Suas mortes, paradoxalmente, são consideradas quase como fatos rotineiros que pouca atenção recebem da mídia. Esses pobres sorteados pela roleta da violência urbana se vão desta para melhor quase que anonimamente... Seus assassinos permanecem impunes... Apenas parentes e amigos os prateiam. Parece que a população já considera essas coisas como obra da fatalidade. O que está sucedendo no Brasil?

 

 O contraste na atenção despertada pelos casos citados expõe a capacidade de a lavagem cerebral, que vem sendo implementada nas últimas décadas, afetar o raciocínio lógico do povo. No caso, a extensa cobertura da imprensa e das autoridades sobre o assassinato da polícia de Londres serviu a dois objetivos distintos:

 

 

A lavagem cerebral em curso foi, de muito, facilitada pelos efeitos perversos da injusta distribuição de renda, que persiste no país há séculos. Ela fez com que, seja por ignorância, seja por descrédito, os brasileiros tenham deixado de acompanhar ou participar ativamente dos fatos políticos. Eles aprenderam que, qualquer que sejam as forças dominantes do cenário político, as suas vidas muito pouco se alteram. Assim, conformados, abandonaram esse cenário às mãos de interesses corruptos e à ação de grupos de fanáticos ou de ideologias perniciosas. Ao desinteressarem-se da política, os brasileiros, simultaneamente, puseram de lado o raciocínio lógico, deixando-se convencer por quaisquer versões da verdade, desde que repetidas à exaustão pelos órgãos de imprensa. A maioria acha que de nada vale acompanhar os fatos, sofrendo da síndrome de: “eles que são políticos que se entendam”. Tornaram-se assim alvos fáceis de lavagens cerebrais.

 

Alheios às decisões políticas, seu voto fica vulnerável ao oferecimento de migalhas – camisetas, cervejas, alimentação gratuita, shows de artistas populares, broches, promessas inexeqüíveis etc. É esse estado de coisas que explica o paradoxo dos contrastes existentes entre a aparente comoção despertada pelo concorrido assassinato de Londres e o anonimato dos milhares de extermínios e homicídios nacionais, quase que quotidianos.

 

Entretanto, parece que Deus é brasileiro. De fato, começa a cair o pano que pode encobrir a maior conspiração política já levada a efeito no Brasil, a qual, caso seja verídica, pode transformar a corrupção e a inversão de valores de 1964 em coisas de amadores. Os torpes fatos a que estamos assistindo foram possibilitados, em parte, pelo sucesso da citada lavagem cerebral que foi desencadeada, a principio, contra a Universidade brasileira e, logo após, contra toda a sociedade brasileira.

 

Essa lavagem dos cérebros brasileiros ampara-se na saturação do dia a dia dos nacionais com assuntos relacionados a sexo, bebidas, carnaval, shows, praia, “big brothers nº1, nº2, nº3, nº4...” e novelas da TV, em cujos intervalos notícias e propaganda subliminar são convenientemente inseridas. Para facilitar o convencimento do povo, diversas “palavras de ordem” falaciosas foram selecionadas como expressões quase que obrigatórias na história recente da República: “anos de chumbo”, “tortura”, “desarmamento”, “repressão”, “conservadorismo”, “progressista”, “reacionários”, etc. passaram a ter conotações úteis à causa gramsciana.

 

Analisemos a lógica de algumas destas palavras de ordem:

 

Anos de chumbo

 

Empregando-se a velha matemática e o fato de que, segundo Raymond Aaron, “os números desmistificam tudo”:

 

 País

População média no período de exceção considerado

Número de mortos pela repressão

Período de exceção considerado (em anos)

Relação Número de mortos, por ano, por milhão de habitantes

Camboja

5.500.000

±2.000.000

5

72.727,0

URSS

180.000.000

±20.000.000

67

1.587,0

China

800.000.000

±65.000.000

56

1.451,0

Cuba

5.000.000

±17.000

30*

113,0

Chile

9.000.000

±14.000

16

97,2

Argentina

27.000.000

±10.000

7

52,9

Brasil

 100.000.000

±232

21

0,11

 

 

* considerando-se apenas o período em que foram suportados financeiramente pela URSS. A ditadura do estelionatariado continua até nossos dias naquele país.

 

Ou seja, se você mencionar a expressão “anos de chumbo brasileiros” para um espanhol, por exemplo, ouvirá uma risada de escárnio tal o despropósito do que nela está embutido... Isso, sem considerar que, em 2003, o número de homicídios no Brasil foi de 252, por ano, por milhão de habitantes...

 

O quadro acima revela a incoerência da amizade de Lula e de Dirceu com alguém como Fidel Castro que comanda uma ditadura cerca de 686 vezes mais sanguinária do que o regime de democracia indireta do Brasil (onde a maior parte das mortes não ocorreram no “paredon”, mas sim em combates onde os patriotas que defendiam a democracia lamentaram cerca de duzentas mortes).

 

Fica claro que a expressão “anos de chumbo” foi forjada nas mentes brasileiras pela lavagem cerebral de uma população quase alheia aos fatos políticos brasileiros, que dirá dos internacionais...

 

Tortura

 

A palavra tortura é, via de regra, empregada em paralelo à expressão “ditadura militar” e “anos de repressão”. A falácia tenta imprimir nas mentes do povo que os militares não passam de torturadores (diga-se de passagem que nosso povo tem os militares em alta conta de acordo com as pesquisas de opinião). Todos parecem se esquecer que a tortura foi, freqüentemente, empregada no Brasil desde priscas eras. Basta relembrarmos a época de Getulio Vargas (Filinto Müller) para concluirmos que essa prática hedionda e covarde foi mais comum do que se gostaria de reconhecer. Mas, ninguém alia o nome de Getúlio Vargas e de outros presidentes às infames práticas de tortura de suas polícias políticas. A grande maioria desconhece que presos políticos chegavam a solicitar serem agredidos, antes de serem libertados, para que pudessem alegar terem sido torturados, evitando assim serem “justiçados” por seus próprios camaradas, impiedosos com os que delatavam. Um prisioneiro libertado ileso era tido como tendo sido solto por ter “falado”, o que, normalmente, gerava a sua condenação à morte após julgamento por seus correligionários. Todos parecem ignorar que os interrogatórios de presos políticos por militares das Forças Armadas, durante inquéritos policiais militares, tinham que ser conduzidos na presença dos seus advogados, em local arejado e à luz do dia. O caso “Beth Mendes”, no qual o Cel. Ulstra foi falsa e covardemente acusado de tortura por esta senhora, bem espelha as calúnias envolvidas no que se refere às acusações levadas a efeito contra militares das Forças Armadas brasileiras. É também evidente que todos os presos tinham interesse em alegar que “confessaram sob tortura” pois isto lhes valia a absolvição perante o Supremo Tribunal Militar.

 

É claro que a tortura constitui pratica infame e inaceitável e ninguém em sã consciência pode com ela concordar sob qualquer pretexto, mas, no Brasil da lavagem cerebral, a tortura que é apontada como inaceitável parece ser apenas a que teria sido levada a efeito contra militantes de esquerda. Muito pouco se fala acerca das torturas praticadas contra criminosos comuns pertencentes às mais baixas camadas sociais e desprovidas de representação e de visibilidade ou contra presos políticos em outros países. Assim, não escrevo para justificar a possível tortura, mas para denunciar o emprego cínico de dois pesos e duas medidas na abordagem do tema, como parte da lavagem cerebral. 

 

Quaisquer práticas de tortura têm que ser denunciadas e punidas! Todas as torturas são inaceitáveis! Inclusive, as levadas a efeito pelo amigo e camarada de Dirceu e de Lula – Fidel Castro! Amigos de torturadores revelam amplamente nuanças de seu caráter.

 

Também os fuzilamentos ordenados pelo famoso Che Guevara em 1959 (discute-se o número que varia de 200 a 2000) parecem terem sido metamorfoseados em coisa grandiosa diante da dupla moral embutida nos cérebros populares pela lavagem cerebral que não resiste a qualquer pensamento lógico. Assim, transformou-se um carrasco de pessoas indefesas (por motivações políticas) em grande herói, fabricado pelas versões oficiais, retratos que ornam camisetas, filmes, livros etc. e principalmente pelo interesse em, subliminarmente, convencer as mentes incautas de que assassinatos políticos são coisa imprescindível à “democracia” (nome falacioso empregado pelos maoístas de nossos dias para substituir a obsoleta ditadura do proletariado).

 

Ditadura

 

Sempre que a mídia se refere aos presidentes militares os designa como ditadores. Isso faz parte da lavagem cerebral ora em plena vigência. Todavia, o Brasil das ações corretivas de 64 era uma democracia governada por presidentes eleitos indiretamente pelo Congresso. Estando o país em guerra contra a ação do Movimento Comunista Internacional respaldado na orientação da Terceira Internacional (que visava abolir o Estado Brasileiro), estes presidentes tinham que ser generais. Mas, ditadores não eram. Ditadores são Fidel, Sadan e Kadhafi e foram Pinochet, Salazar, Franco, Somoza, Stalin, Mao e Pol Pot, entre outros. Os nossos generais permaneceram no poder pelo período estabelecido na Constituição Federal e, principalmente, morreram tão pobres como eram antes de assumirem o cargo. Entre os seus familiares não se encontram gênios da economia, como o filho de lula que, apesar de perceber dois salários mínimos em 2001, hoje, reside em moradia de alto luxo. Também não haviam quadrilhas organizadas no congresso, conforme a mídia nos revela quotidianamente. Mesmo após mais de vinte anos com toda a imprensa da esquerda tentando descobrir algo contra eles, nada apuraram, a não ser que eram pessoas honestas que fizeram o país crescer e foram obrigados a adotarem medidas extremas para evitar que a baderna, o terrorismo e o crime não imperasse em nosso solo e que, hoje, você não esteja em um gulag (campos de trabalhos forçados criados por Stalin na URSS).

 

 

Desarmamento

 

É incrível o cinismo da campanha do desarmamento. Os pobres brasileiros estão sendo convencidos de que o grande risco existente são as armas legalmente em poder da população, mesmo ante às atuais e verídicas “décadas de chumbo” que nos colocam em patamares piores do que a guerra do Vietnam ou do Iraque. Na pior fase da guerra do Vietnam, morriam cerca de vinte e cinco americanos por dia. No ano da invasão do Iraque, morreram cerca de cinqüenta pessoas por dia, isto sob bombardeio quase que indiscriminado. Todavia, no Brasil de hoje, perecem cerca de cento e vinte pessoas por dia vítimas de homicídios. A grande maioria desses homicídios é praticada por armas ilegais. Mas, o governo chegou à infame conclusão de que retirar as armas das camadas mais esclarecidas da população (que são exatamente as que poderiam resistir a golpes de esquerda) constitui solução para o problema. Poucos conseguem enxergar os reais propósitos embutidos na campanha de desarmamento. Novamente, a lavagem cerebral faz com que o pensamento dos menos precavidos apóie o enfraquecimento da capacidade de defesa dos lares dos cidadãos que nas democracias deveria ser sagrado (como nos EEUU, onde está incluído em sua diminuta e eficaz Constituição Federal). A quem pode interessar uma sociedade onde apenas os corruptos e bandidos encontram-se armados? Acordem brasileiros!

 

Essa breve análise revela a marcha da lavagem cerebral que se tenta implantar contra a democracia brasileira. Muitos outros aspectos poderiam ser citados como o grande número de filmes realizados centrados unicamente na critica ao regime militar, a insistência em se rememorarem fatos que há muito já foram superados,  as técnicas subliminares empregadas pela propaganda que se vale do preto e branco, do fundo cor de sangue e de música fúnebre quando se re-exibe sempre a mesma cena — um carro de combate e militares patrulhando as ruas nos anos sessenta com pessoas correndo ao fundo. Ao sair dessa cena, as cores brilhantes reaparecem e ouve-se música agradável... 

 

Basta recordarmos o "Oscar" conferido por Hollywood ao insosso filme "diários de uma motocicleta", que lava a mente dos incautos acerca de quem foi che guevara, tentando transformar esse assassino sadista em inocente altruista, para verificarmos o interesse atual dos poderosos em apoiarem a corrupção das esquerdas que proliferam no terceiro mundo.

 

Também a insistência em se alterarem as cores nacionais com a inclusão do vermelho bem mostram a técnica subliminar de sugestão de rompimento com as tradições brasileiras que sempre repeliram o ateísmo e o materialismo comunista. De modo similar, foi incluída a cor preta e o dístico “Brasil, um país de todos” com significado subliminar de que existiria a segregação racial no Brasil e que somente o governo Lula teria acolhido os negros, quando todos sabemos que o que sempre existiu e ainda existe no país é a segregação social e a segregação cultural, que nada têm a ver com a cor da pele dos indivíduos, mas sim com suas posses e costumes.

 

Não se pode afastar a hipótese de que esta lavagem cerebral estaria ligada a outras ações destinadas a eternizar a permanência  do PT no poder e a concretizar idéias embutidas nas declarações do Foro de S.Paulo. É o que os fatos atuais parecem indicar. A queda de Dirceu pode esconder a participação de fatores exógenos, atuando na defesa de interesses econômicos preocupados com o que poderiam ter descoberto. Afinal, desde algum tempo atrás, os planos da Casa Civil têm sido sistematicamente frustrados, justamente após terem conseguido abrir os arquivos militares.

 

Todos se recordam que, após os eventos do padre canadense (que estava no bordel e foi reconhecido como tal e não como o Sr. Herzog sendo torturado) e do churrasco da Base Aérea de Salvador, (no qual a lavagem cerebral fez com que muitos brasileiros acreditassem que militares destroem papeis classificados em fogueiras públicas, ao invés de em máquinas que transformam estes papéis em poeira) Dirceu conseguiu abrir os arquivos militares. É claro que, tão logo o conseguiu, a imprensa silenciou sobre  as comédias montadas para que o conseguisse...

 

N.A. Mais recentemente, o programa fantástico ( um dos canais de propaganda de Lula) tentou trazer o tema à tona novamente. Utilizando lógica somente capaz de convencer débeis mentais, provou que os papéis foram queimados na Base Aérea de Salvador, o que sempre foi óbvio. É claro que os papeis foram queimados lá por quem lá os colocou. Antes, porém, haviam sofrido a queima inicial (resmas de papel queimam apenas perifericamente por falta de oxigênio) por estarem lacrados (por lei de FH) no Aeroporto Santos Dumont que sofreu recente incêndio. Eles devem ter sido roubados por alguém que participou do rescaldo da estrutura do Aeroporto. Mas, nada foi dito acerca disso. Assim, o fantástico provou que os papeis que originalmente haviam sido queimados pela segunda vez na Base Aérea de Salvador foram queimados numa fogueira na Base Aérea de Salvador! Será que eles pensam que o povo é tão idiota assim? Quem estará pagando essa matéria?

 

Todavia, é no mínimo estranho que o poder que a abertura dos arquivos militares confere aos que de seu conteúdo tomam conhecimento tenha servido, inversamente, para enfraquecer o Ministro da Casa Civil. Seria de se esperar que os dados obtidos fossem utilizados com sucesso para garantir a eleição de seu candidato à presidência da Câmara dos Deputados. A explicação do deputado Roberto Jefferson de que a derrota dever-se-ia à interrupção do pagamento do “mensalão” poderia explicar esse fato, embora deixe no ar muitas questões. 

 

A quantidade inimaginável de lama que inunda o planalto nos faz pensar que os crimes denunciados escondem, de fato, plano golpista para eternizar o PT no poder apoiado pelo imenso sucesso da tenebrosa campanha de lavagem cerebral ainda em curso. A couraça que protege Lula ficou evidente, por exemplo, em programa exibido recentemente em importante canal de TV a cabo. A simples menção do impeachment de Lula (possibilidade política lógica e natural) feita por proeminente jornalista foi, imediatamente, cortada pelo outro apresentador, (um fanático pelo materialismo marxista, com biografia reveladora). Chegou até a “pegar mal” para o programa exibido que foi interrompido em seguida para a exibição de comerciais, nada mais sendo abordado sobre o assunto.

 

Temos que permanecer atentos. Não podemos nos esquecer que Lula interessa a todos — culpados ou “lavados”: ao primeiro mundo, aos banqueiros, aos empresários, ao MST, aos membros beneficiados do PT (que ocupam praticamente todos os escalões do poder nos mais variados setores da Nação) e, principalmente, aos mais incultos (muito numerosos), principais vitimas da lavagem cerebral, que ainda parecem acreditar que este governo poderá solucionar seus problemas. 

 

Agora que o pano começa a cair, desnudando as verdadeiras motivações do governo, é preciso estar em alerta para atitudes desesperadas que possam ser desencadeadas pelos que já imaginavam ter se eternizado no poder por meio do desvio do dinheiro de nosso povo sofrido para dar sustento às suas motivações criminosas e antidemocráticas.

 

Carlos Hernán Tercero

 

© todos os artigos deste site podem ser reproduzidos desde que sejam citados o autor e a fonte.