A Bigbrotherização do Brasil

 

 

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icamos estarrecidos quando nos damos conta de certos atos criminosos. Como compreender a secretária que mandou matar as possíveis concorrentes ao amor de seu patrão, homem casado com o qual manteve breve relacionamento amoroso? Como aceitar as chacinas que, de tão freqüentes, já não despertam a indignação popular, a não ser por curto tempo, logo caindo na vala comum do esquecimento? Como não estremecer ante a filha que planejou e executou seus próprios pais? Esses eventos, cada vez mais comuns, despertam um clamor que sugere que muitas coisas devem andar erradas. São alarmes que disparam em cascata, denunciando os riscos que corremos. São avisos prévios que nos fazem pensar que embarcamos em veículo que desce desgovernado uma ladeira que não sabemos aonde conduzirá, embora os mais esclarecidos suspeitem que lá não deva ser um lugar muito bom...

O atual cenário em que vivemos é fruto da eterna luta travada entre os indivíduos que acreditam em Deus e os que acreditam que a engenhosidade humana pode dele prescindir. Esses últimos insistem em que todos nascem iguais, suas diferenciações sendo decorrentes apenas de fatores materiais. Esse é o caso do marxismo e das ideologias a partir dele geradas. No campo oposto, formam os que reconhecem ser o espírito (inquilino dos corpos nos quais habitam temporariamente) o principal elemento diferenciador de comportamentos. Eles entendem que os fatores materiais, como a hereditariedade, influenciam, mas não determinam o futuro dos seres humanos que alegam depender do trabalho, da educação e, principalmente, da evolução espiritual. 

Muitos missionários têm sido enviados a nosso planeta para tentar fazer valer - pelo convencimento - a verdade acerca da existência do Sistema Universal do qual fazemos parte, embora a maioria sequer disso se dê conta. A mensagem comum que transmitiram e ainda transmitem é a do progresso como fruto do esforço individual, do trabalho, do amor, do caráter, da renúncia e da caridade. Tais revelações remetem à justiça divina o nosso merecimento pelo cenário que ora nos cerca, por ser ele fruto de nossa própria escolha redentora. 

Do outro lado, formam os que culpam as lutas de classes pelos infortúnios dos humanos. Esses não se dão ao trabalho de pesquisarem a origem dessas lutas que são as diferenciações espirituais (e não as materiais, como desejam incutir nas mentes dos menos evoluídos). Eles sabem que assim agindo, constroem uma ponte sobre a tortuosa via da conquista da evolução espiritual pelo esforço pessoal, oferecendo-lhes, ao invés de trabalho árduo, o simples assassinato dos burgueses...  Isso os fascina com a idéia de poderem, de pronto, tudo conseguirem às expensas do trabalho de outros, ao invés do deles mesmo...

É claro que a luta de classes é um fato inegável. Todavia, os humanos, qualquer que seja a ideologia da moda ou o sistema social adotado, sempre dividir-se-ão em classes com privilégios diferenciados. É que a causa da existência destas classes e de seus privilégios é a incessante busca por maior quantidade de poder material inerente aos seres humanos. De fato, todos buscam o poder material. Sem ele não podemos sobreviver. Ele faz parte dos desígnios de Deus ao fazer surgir a vida em nosso planeta. Mesmo os que priorizam a busca pelo poder espiritual dele não podem prescindir. Nenhum de nós sobreviverá se não puder produzir a quantidade mínima de efeitos desejados, na ocasião desejada. Se não pudermos beber um copo d’água, por exemplo, durante um longo período de tempo.

Essa busca pelo poder material, sendo inerente aos humanos, continua a existir, mesmo com o advento da ditadura do proletariado. Alguém sempre assume a liderança de qualquer grupo de humanos. Geralmente, são os mais capazes. Todavia, depois do assassinato dos burgueses, entre os quais se contam os intelectuais (que, por sua capacidade, àquela classe pertencem) a liderança dos sobreviventes recai sobre os mais fortes. Foi assim que Robespierre, durante a Revolução Francesa, berço do esquerdismo, guilhotinou mil e quatrocentas pessoas em uma semana, entre os quais, o famoso Lavoisier, o pai da Química, sendo, posteriormente, também guilhotinado, já que o sangue é o principal ingrediente das fórmulas dos que se opõem aos desígnios de Deus.

Entretanto, a maioria do povo é constituída por indivíduos que desconhecem os meandros da história e, além disso, estão descontentes com sua atual situação, por melhor que esta seja, já que ela jamais será capaz de superar as suas expectativas, sempre crescentes (ver http://www.polestrare.com.br/leisbasicas.htm). Dessa forma, tornam-se presa fácil de ideologias que removem de seus caminhos o ressarcimento de suas dívidas espirituais, remetendo-os, teoricamente, a condições de vida que ainda não conquistaram. O apelo é quase irresistível, pois, entre os que se deixam enredar por tal pensamento encontram-se muitos que, de fato, fizeram por merecer melhor tratamento, estando alijados dessas condições em função da injustiça social sempre vigente em qualquer sistema humano. Esses últimos contam-se entre os que mais veementemente defendem a ditadura do proletariado. Outros são os ateus que não reconhecendo a existência da educação espiritual a diferenciar os humanos, somente podem atribuir as diferenciações existentes à opressão de determinadas classes sobre outras.

Ultimamente, em face de vivermos em mundo unipolar globalizado, onde o braço dos poderosos pode se fazer sentir com rapidez, seja pela via do poder militar, seja pela via econômica, o assassinato dos burgueses vai sendo substituído por mecanismos de lavagem cerebral que os apontem e os façam sentirem-se culpados pelos problemas sociais (para os quais, de fato, uns poucos deles contribuíram) existentes. Tais mecanismos de controle social têm revelado bastante eficácia em suas campanhas de meias verdades voltadas para   público alvo incapaz de perceber sua parcialidade e ávido por encontrar e punir os que lhes são apresentados como culpados, entre os quais, de fato, existem alguns culpados, (pois não existe grupo social que não os possua) o que impregna as mensagens capciosas com um ar de credibilidade. 

É claro que campanhas publicitárias baseadas em meias verdades sempre poderão ser refutadas por quem seja capaz de lhes acrescentar as metades suprimidas. Assim, seu sucesso está baseado no controle total da mídia. No Brasil, isto foi feito com grande competência, pela adoção do cerceamento aos pensadores em substituição à censura aos pensamentos propriamente dita. Não é necessário censurar o que não pode ser publicado por discriminação de autores. Basta examinar-se o “currículum vitae” dos integrantes de peso de nossa mídia para concluirmos que, praticamente, apenas um lado da verdade se faz representar em todos os quadros. O mesmo se aplica aos partidos políticos, que de política pouco querem saber e, por isso, adotam tão somente discursos alinhados à lavagem cerebral vigente, por ser isto politicamente recomendável, insensíveis aos problemas nacionais. 

Quando surge, (o que é inevitável) algum elemento destoante dessa lavagem cerebral tenta-se removê-lo o mais rapidamente possível do ambiente, conforme ocorreu com o âncora Boris Casoy, que ousava falar a verdade. Os que resistem às correntes himlerianas da propaganda imbecil comunistoide sofrem constantes ataques, não a suas idéias lúcidas, mas a quaisquer outros aspectos de suas vidas, de modo a desacreditarem-se suas opiniões por meio das conhecidas falácias “ad hominem” que tão bons resultados produzem nas mentes menos capacitadas (exemplo: se fulano está de terno, deve ser pessoa culta e educada... se está de chinelo...).

A cada dia vai ficando mais difícil esconder o crescimento da desonestidade e do cinismo dos governos de esquerda, que atingiu níveis inaceitáveis, até mesmo para os que não acompanham o fato político. É muito difícil evitar que todos percebam que as estradas estão esburacadas a ponto de significarem risco de vida e elevados prejuízos a todos os componentes da Nação, não interessando qual a ideologia defendam. É muito difícil evitar que todos percebam que os imensos recursos destinados à manutenção e à construção de rodovias foram desviados. É muito difícil evitar que todos percebam que se morre na porta de hospitais. É muito difícil evitar que todos percebam que as condições dos presídios são inaceitáveis, transformando-os em escolas do crime e em infernos terrestres dos quais é preciso escapar a qualquer preço. É muito difícil evitar que todos percebam que os ônibus e trens trafegam com superlotação ilegal que é o fruto da corrupção dos fiscais decorrente da corrupção política. É muito difícil evitar que os menos favorecidos percebam que suas vidas, seus domicílios e seus bens, tão duramente conquistados, não são respeitados, seja por alguns policiais, seja pelo crime aliado dos poderosos. É muito difícil evitar que todos percebam que os impostos pagos não estão revertendo em serviços dignos deste nome. É muito difícil evitar que todos percebam que os banqueiros e os investidores estrangeiros estão se locupletando com a agenda econômica, responsável pela timidez de nosso crescimento. É muito difícil evitar que todos percebam que a política das esquerdas é o fisiologismo. É muito difícil evitar que todos percebam que Lula e Dirceu sabiam de tudo. É muito difícil evitar que todos percebam que éramos felizes no tempo dos governos militares (que se maculam com mentiras de todos os tipos) e não sabíamos...

É muito difícil evitar que todos percebam que o crime avança mais a cada dia, ameaçando todas as estruturas sociais, independentemente de classes. É muito difícil evitar que todos percebam que uma minoria atuante (MST, PT e outros) age como se planejasse a tomada do poder, não por motivos ideológicos, mas por puro (e nem sequer ocultado) fisiologismo. É muito difícil evitar que todos percebam que os arquivos militares não podem ser abertos, integralmente, para que não sejam relembrados os crimes cometidos pelos que ora ocupam o poder e decidem o que poderá vir a público, de modo a resguardarem suas torpes imagens...

Tudo isso ocorre tão somente pelo descrédito da maioria no Sistema Universal em que estamos inseridos. Descrédito este decorrente da divisão religiosa em torno dos mecanismos empregados por Deus no que concerne ao processamento da evolução espiritual dos seres humanos e pela própria descrença na existência de um Deus, qualquer que seja o seu nome.

Caso todos compreendessem o mecanismo do grande Sistema que nos  envolve, poderia haver honestidade de propósitos. Mas, isso não ocorre. Porém, mesmo assim, muitos acreditam na honradez de alguns partidos políticos. Caso os humanos se dessem conta que, neste planeta, jamais poderá existir ideologia ou agrupamento social totalmente honesto, até que a maioria aceite a existência daqueles mecanismos, seria mais fácil fazê-los compreender o perigo de se conferir poder desigual a qualquer entidade, todas devendo estar submetidas a outro poder suficientemente grande para fazê-las curvar-se ao interesse e ao bem comum e para impedir que cometam crimes contra o povo que deveriam representar. Assim, idealizou Montesquieu, cuja teoria da divisão do poder transformou-se na separação de poderes que disputam “quem mandará mais” e não “como cercear os excessos de quaisquer deles que devam ser coibidos” em nome do bem estar geral. Apenas uma democracia onde os três poderes sejam equivalentes assegurará que nenhum deles possa adotar atitudes que atentem contra as liberdades e os direitos individuais. Por isso, a enaltecida ditadura do proletariado apenas conduz ao absolutismo, não dos reis, mas da plebe ignara. 

Mas, não somente esse equilíbrio é necessário. É importante que exista outro entre as correntes ideológicas dos partidos políticos. Entretanto, no Brasil, nem se pode dizer que existem partidos políticos de fato, mas, sim simulacros de partidos políticos, verdadeiros passaportes para as benesses que conferem aos representantes de povo miserável os maiores salários e os maiores privilégios do país, em troca de uma semana de trabalho de três dias... Parlamentares trocam, freqüentemente, de partido já que poucos conseguem distinguir as diferenças que possam existir entre dois deles e, seguramente, entre esses poucos não se contam seus eleitores. Assim, não se pode dizer que haja democracia no Brasil, além do fato de existirem eleições onde aos eleitores resta decidir qual representante da esquerda assumirá o poder. 

A democracia é o império das Leis, mas as nossas leis nem sempre são cumpridas. As nossas leis nem sempre são justas. A crimes inafiançáveis, como o porte ilegal de armas, concede-se fiança, dependendo de quem pratica o crime. A criminosos do colarinho branco concedem-se hábeas corpus para mentirem em detrimento do interesse público pisoteado pelo discurso cínico dos que exercem o poder. Dois pesos e duas medidas são empregados na interpretação da lei da anistia. Carlos Heitor Cony e Mário Kosel Filho demonstram a assertiva e o citado cinismo dos poderosos. Um ministro do Supremo Tribunal Federal insinua-se como candidato à presidência. Corrupção sem precedentes é denunciada como sendo fato usual. O próprio presidente confessa de público, em país estrangeiro, a prática ilegal de “caixa dois”, considerando-a como fato corriqueiro...

Por isso, para que o povo não perceba o que é cada vez mais óbvio, resta intensificar a lavagem cerebral. É necessário que os programas de entrevistas ou debates nas televisões e rádios denigram o tempo em que os presidentes (entre os quais os militares) eram honestos. É necessário evitar que o povo saiba que, durante os governos militares, entre 1964 e 1978, elevou-se o produto interno bruto, PIB, de US$ 23 bilhões para US$ 164 bilhões; ampliou-se o comércio exterior de US$ 2,6 bilhões para US$ 25,9 bilhões; estendeu-se a rede rodoviária federal, de 27.939 Km, para 83.943 Km; aumentou-se o potencial hidrelétrico, de 6.840.000 Kw, para 23.604.000 kw. É necessário que o povo não saiba que todos os presidentes militares morreram tão pobres quanto eram antes de assumirem o cargo ao qual respeitaram. 

Mas..., para que a verdade não apareça... haja bigbrother... haja bigbrother... Quanto mais bigbrotherizadas estiverem as mentes toscas da população, mais suas preocupações estarão voltadas para o rabo dos que barganham o caráter pela fama, ao invés de para os milhares de rabos presos dos que colaboram para usurpar a decência deste país...

Carlos Hernán Tercero

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