A SUPREMA COVARDIA

(Poema)

 

 

 

 

"Não faça aos outros o que não queres que te façam”.

                                                                                                                                         Confúcio

 

A verdade tem que ser dita.

E, isso, doa a quem doer!

Pois, que outra forma existe

de a verdade conhecer?

 

Assim, é que vamos falar

e também aconselhar

a quem faz o mal aos outros,

pensando em seu bem estar.

 

Um preso na solitária

logo desanda a falar,

mesmo estando sozinho,

para louco não ficar.

 

Tal qual canta, na gaiola, um passarinho,

a chamar qualquer vizinho,

querendo formar um ninho,

torturado, coitadinho,

com asas e sem voar!

 

Fechado nessa gaiola

apenas por covardia

de quem lhe coloca lá.

Alguém que tem pés e anda,

mas... não lhe deixa voar!

  

Quem esse crime pratica

o faz por puro egoísmo

e ainda tem o cinismo

de tentar justificar

esse ato tão covarde,

dizendo que não se pode

um pássaro libertar

de dentro de uma gaiola

sem sua vida ameaçar...

 

Tortura eterna ou a morte?

Essa é a sua sorte!

A qual deveria escolher?

Entre viver torturado,

na gaiola, isolado,

vendo o céu a brilhar

sem lá nunca poder chegar!

 

Sem poder se acasalar,

sem gozar da natureza,

o que se pode esperar?

Ante tamanha covardia,

é certo! A morte escolheria...

 

Mas, ao menos morreria

em seu vôo derradeiro,

o chão lá em baixo

 a lhe esperar...

Que a todos nós vai enterrar...

 

Podendo, ainda uma vez,

ver, lá de cima, a natureza,

o sol e as nuvens a brilhar!

A paz do céu e a beleza

que só quem voa

é que é capaz de aproveitar!

 

Mas, o dono da gaiola

é bom que comece a rezar,

pedindo que Deus seja injusto,

Ou que desvie o olhar

da suprema covardia

de um passarinho encerrar

nessa prisão solitária

e que essa tortura diária

ele não possa enxergar...

 

Mas, Deus é onisciente...

E, por isso, certamente,

A crime tão deprimente

ele terá de cobrar...

 

ibatan

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