A República dos

 Quebra-Molas

 

 

A

s marcas dos governos de esquerda verificam-se diariamente nas ruas. A legislação por exceção traduz claramente os malefícios causados pela crise de autoridade que assola o país desde que as esquerdas tomaram o poder. Já que não se exerce a autoridade, o crime finda por acontecer, pois a impunidade é a mãe de todos os vícios. Na ocasião em que isso ocorre, adotam-se medidas genéricas; não eficazes, pois as medidas corretas são geralmente impopulares e sugerem o autoritarismo que as esquerdas tanto condenam como coisa de militares. Adotam-se, isso sim, medidas de âmbito geral para salvar a face e que pareçam voltadas contra a repetição do fato, mas que, na verdade, punem a todos menos aos criminosos. Por exemplo:

Atitudes como a do exemplo citado expressam a prática que se tornou costumeira no Brasil de legislar por exceção. Incapaz de fazer valer sua autoridade ou hesitante em exercer a repressão, o Estado passou a legislar contra o inimigo mais próximo. Ao invés de prevenir, remedia. A aversão à simples menção da palavra repressão, comum aos esquerdistas, faz com que não reprimam o que deve e tem que ser reprimido. Ao invés disso, adotam paliativos que nada resolvem e, pior que tudo, atribuem a adoção desses paliativos a escalões inferiores, tentando ignorar a realidade que lhes cerca. Essa prática de delegar a autoridade que não poderia ser delegda, em termos práticos, faz com que medidas extremas que deveriam ser tomadas apenas pelo mais alto escalão do poder executivo passem a depender de decisões de níveis inferiores. Isso aumenta de modo gigantesco o poder desses escalões mais baixos o que, por exemplo,  torna possível a policiais desonestos o exercício, até mesmo, do poder de vida e morte em detrimento da população, como a mídia nos mostra quotidianamente.

Assim, proliferam as legislações por exceção. Estando o Estado em regime pré-falimentar em termos de autoridade, resta-lhe ao invés de evitar os crimes, fingir que exerce a sua autoridade, promulgando lei ou regulamento específico que proíba o crime já cometido. A nossa própria Constituição é um excelente exemplo disso. Essa é a razão de seu elevado número de páginas e artigos e, apesar disso, das muitas emendas propostas. Agindo o Estado dessa maneira, ele estimula ações semelhantes por parte dos cidadãos que tomam em suas mãos a autoridade não exercida. É por isso que, mesmo sem provarem que somos ladrões, todos nos perguntam ao solicitarmos um cafezinho: - Já tirou a sua ficha no caixa? É por isso, também, que todos os brasileiros são tratados como se fossem estelionatários ao emitirem um cheque:

Outro exemplo de legislação por exceção já conhecido por todos:

A alteração das caixas eletrônicas limitando os saques é outro cínico atestado da incompetência do governo em tornar as ruas mais seguras:

A super lotação dos transportes coletivos é mais um triste exemplo de como a falta de autoridade para multar os empresários de transportes pode afetar o seu conforto:

Ou:

Ou:

Ou, 

A substituição de guardas de trânsito por “pardais” pode fazer com que sua carteira seja cassada, no caso de criminosos clonarem sua placa, conforme quase ocorreu comigo:

Também no campo político a República dos Quebra-Molas atua com eficiência: 

Ainda no campo político...

 

Ou seja, em terra de rotos, quem acusará os esfarrapados?

Você encontrará muitos outros exemplos como esses, bastando que pense um pouco em como a sua vida está se tornando mais difícil. Por tudo isso, o Brasil de hoje funciona como se fosse a “REPÚBLICA DOS QUEBRA-MOLAS”, que reflete a falência da autoridade pública em fazer valer as leis e regulamentos, punindo tão somente as pessoas inocentes. A quem pode isso interessar?

Tendo sido eleito com um discurso para fanáticos e inocentes úteis, agora vive o governo Lula o dilema: como concretizar aquelas promessas populistas sem adotar as práticas autoritárias que elas impõem e contra as quais as esquerdas vangloriam-se de terem lutado (jamais assumindo que foram elas que lhes deram origem). Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabia que as promessas do PT eram inexeqüíveis coeteris paribus, ou seja, apenas com a implementação dos procedimentos extremos preconizados por Marx - com a implantação da chamada ditadura do proletariado - poder-se-ia tentar cumpri-las. De fato, a supressão violenta da burguesia e a usurpação de suas propriedades poderiam possibilitar uma distribuição inicial de renda e a criação de milhões de empregos (incluindo os dos campos de trabalhos forçados). Mas, os mais esclarecidos sempre souberam que ninguém em sã consciência tentaria tal disparate nesse hemisfério ante os olhares vigilantes da globalização.

Pior ainda, relembrando que os adeptos do PT e os inocentes úteis de Lula sempre somaram 33% dos votos nos escrutínios anteriores, pergunta-se: de onde vieram os demais 33% que garantiram a sua eleição? (em setembro de 2002, o jornal nacional noticiou que Ciro venceria Lula no segundo turno por 1%...). No Brasil, perguntas como essa somente se tornarão possíveis de responder no dia em que for levada a efeito uma reforma política digna desse nome. Isso faz com que não se possa censurar os que pensam que essa votação cem por cento superior às anteriores seja oriunda dos setores que, hoje, mais se beneficiam com as políticas do governo atual. Basta verificarmos quem está auferindo os lucros resultantes de nossa atual situação econômica para sabermos quem seriam esses setores. A dita “inesperada derrota da maioria” do governo no caso da medida provisória que findou liberando o funcionamento dos bingos também ajuda a compreender esse quadro. Afinal, o governo teve que fazer alguma força para que fosse derrotado. Tão logo as coisas caíram no esquecimento popular, voltaram a apoiar o projeto de regulamentação do jogo que havia sido retirado durante os atos desesperados para que não se investigasse a vida pregressa de Waldomiro...

Carlos Hernán Tercero

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