A estratégia da divisão

 

 

 

 

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ma negra sombra pairou sobre o Mundo no século XX. Essa época para sempre será lembrada como o mais sangrento período da História. Esses nefastos anos foram marcados pela ocorrência de conflitos de todas as ordens, desde as mais sangrentas guerras até pequenas revoluções de significado apenas local. Multidões padeceram os mais terríveis sofrimentos. Milhões de seres humanos encontraram a morte em condições tenebrosas. Por todas as partes foram sentidos os efeitos colaterais produzidos pelos grandes partidos em luta a subverterem a ordem das coisas em proveito dos interesses que defendiam. 

A esmagadora maioria dos Estados-Nação, impotentes, simplesmente assistia esse embate de gigantes como atores sem papel que acompanham o desenrolar de uma peça, aguardando o seu término, na esperança de colherem os frutos políticos que sempre brotam das árvores dos conflitos. Outros, de maior expressão política, eram cobiçados pelos partidos em luta e seu aliciamento constituía objetivo estratégico ferozmente perseguido. O mapa do mundo transformou-se em tabuleiro de xadrez no qual as potencias em luta digladiavam-se para expandirem as fronteiras de suas cores. Esse cenário favorecia os sistemas de governo autoritários que podiam ser mais facilmente controlados. A democracia não importava tanto quanto o lado no qual formavam os Estados.  

Tal cenário favoreceu tanto a pesquisa cientifica quanto a tecnológica levadas a extremo sem par na história do planeta. A canalização de esforços desesperados para suplantar as conquistas bélicas dos adversários produziu, paradoxalmente, espantoso progresso que melhorou sobremaneira a vida dos seres humanos. A expectativa de vida aumentou a tal ponto que, findo o ceifamento de vidas decorrente das guerras generalizadas e dos justiçamentos produzidos pelos sistemas políticos (agora em número bem mais reduzido), o mundo vem experimentando crescimento demográfico expressivo, ameaçando o equilíbrio ecológico do qual depende a sobrevivência de nossa espécie. 

Em 1995, segundo dados do Banco Mundial, os países desenvolvidos que representavam cerca de quinze por cento da população mundial consumiam:

 

 

Isso significa que os restantes oitenta e cinco por cento de habitantes do planeta consumiam relativamente quase nada em comparação aos desenvolvidos. Com as novas tecnologias disponíveis não seria difícil o aumento da produção de modo a que fossem ao menos atenuadas as desumanas condições de vida características dos Estados mais pobres. Entretanto, a conscientização de todos acerca da quebra de muitas cadeias ecológicas e da poluição planetária, a qual atinge níveis preocupantes, parece ter deixado bastante claro para os desenvolvidos que o desenvolvimento dos pobres nos mesmos moldes do modelo por eles adotado poria todo o planeta em grave risco. 

Durante a guerra fria, não teria sido prudente a adoção de políticas asfixiantes do desenvolvimento dos paises pobres por parte de qualquer dos blocos em oposição, pois isso significaria que estes países procurariam alianças no outro bloco, alianças estas sempre disponíveis, já que a disputa por novos aliados ocupava lugar de destaque na política externa daqueles tempos. Com a queda do muro de Berlim e o desastre da utopia comunista, algumas alterações já se fazem notar nas concepções estratégicas adotadas pelos Estados.Tudo indica que a preocupação dos países desenvolvidos passou a ser a de buscarem tirar o maior proveito possível de um mundo em transformação. Transformação esta que ainda está se processando e que não sabemos que outros cenários produzirá. É muito cedo para efetuarmos quaisquer projeções, principalmente, se recordarmos a afirmativa de um chinês de que ainda seria muito cedo para analisarem-se as conseqüências da revolução francesa...

Mesmo disputando a liderança mundial e trocando farpas entre si, os grandes blocos agem como se tivessem entendido claramente que, coeteris paribus, não devem admitir o desenvolvimento dos países mais pobres, já que isto certamente acarretaria o aumento da poluição planetária a níveis inaceitáveis com resultados catastróficos e os capacitaria a concorrerem em certos mercados dominados pelos mais desenvolvidos (a nova "síndrome da China" do fim da guerra fria). É claro que não podem propalar tal posicionamento por ser politicamente incorreto, mas sua agenda, no que se refere a ações que influenciam o desenvolvimento dos não desenvolvidos, agora parece estar submetida à palavra “sustentável” que vem sendo empregada exaustivamente (desde que não se refira a eles mesmos). A posição recentemente assumida pelos EEUU no tocante à ecologia deixa claro que dois pesos e duas medidas estão sendo adotados no que diz respeito à preocupação internacional com os problemas de natureza ecológica. 

Com o advento da globalização e do fim do lastro ouro, passando o dinheiro a ser representado por bytes de computadores intercomunicados vinte e quatro horas por dia e trezentos e sessenta e cinco (ou seis) dias ao ano, surgiu a oportunidade de submeterem-se as Nações a ameaças de natureza financeira contra as quais poucas medidas podem ser aplicadas. Assim, tornou-se possível controlar Estados sem o recurso final à violência física das guerras, substituindo-se estas pela mobilidade dos capitais voláteis, que migram em segundos, criando crises capazes de sujeitarem qualquer país aos ditames do capital internacional. Mas, mesmo isso não aparenta ser suficiente para gigantes como o Brasil, cuja riqueza pode tornar possível o enfrentamento da guerra dos bytes via oferecimento de vantagens inexistentes em outras plagas do planeta aos acionistas sempre sequiosos de lucros. Dessa forma, outra estratégia parece ter sido adotada para que o despertar do gigante adormecido seja novamente adiado. 

Todos se recordam das lutas internas produzidas pelo enfrentamento das tentativas dos comunistas de subordinarem nosso país à égide do sistema soviético. Diversas organizações terroristas apelaram para a luta armada, para o fratricídio, para o sequestro, para os assaltos a bancos, para as torturas e para os justiçamentos, gerando a necessidade de repressão a tais atos covardes e traiçoeiros. Eles foram totalmente derrotados pelos brasileiros e as cenas dessa guerra infeliz já fazem parte do passado histórico. Todavia, parcela daquele grupo adotou a técnica gramsciana de tomada do poder no que, é forçoso reconhecer-se, obtiveram espetacular sucesso. Porém, com o fim jurídico do Estado ao qual pretendiam submeter o Brasil - a URSS e com o desastre do modelo comunista, ficaram órfãos de patrocinadores e de ideologia (embora alguns insistam em não darem o braço a torcer). Tal carência determinou a adoção de outros rumos, tudo indicando que não mais pretendem alienar o Estado à tutela de quem quer que seja (motivo que obrigou o Estado Brasileiro a decretar, em 1924, a ilegalidade do Partido Comunista Brasileiro).

Infelizmente, muitos ainda guardam rancor pelas derrotas sofridas por alguns de seus antigos companheiros (aos quais, hoje, designam como democratas), e tentam manter acesas as chamas quase extintas das lutas desse passado condenável e criticar a parte da anistia que não lhes beneficia, adotando dupla moral que contribui para dividir os brasileiros e para denegrir nossa imagem perante o mundo.

Essas divergências, que sempre foram percebidas pelos países desenvolvidos e contra as quais sempre tomaram partido, tornaram-se bastante convenientes para seus planos no que concerne ao controle da poluição planetária e da manutenção de suas vantagens comerciais. É inegável que tais cisões passaram a ir ao encontro de seus propósitos, não se podendo afastar a hipótese de que apóiem ou, no mínimo, que não empreguem seu grande poder de controle dos meios de comunicação contra as ações dos membros dos partidos de esquerda que buscam o revanchismo político. É até mesmo possível que fomentem ações correlatas que tão bem se coadunam com seu interesse em retardarem o máximo possível o nosso desenvolvimento que, certamente, lhes afetaria a economia. Afinal, nenhum país comunista conseguiu progredir no mesmo passo que um capitalista.

É preciso que os brasileiros não se esqueçam da estratégia de dividir para enfraquecer propugnada por Sun-Tzu em seu livro “A arte da guerra” há milhares de anos: “Se o inimigo estiver unido, estimule a cizânia entre suas tropas”. “Lançar a desordem e a confusão em suas próprias fileiras é oferecer um modo seguro para a vitória do inimigo”.

Assim, assistimos, hoje, a criação de cotas para negros, como se existisse a raça negra, para criar o racismo em nossa sociedade. Aqui não há a maldita discriminação racial. O que há, e muito, é a discriminação cultural e a discriminação social. Se você descer de uma Ferrari na porta de um hotel será recebido como um príncipe, mesmo que sua cor seja esverdeada... Se você descer de um fusca, será convidado a entrar pelos fundos mesmo que seja louro de olhos azuis... Xuxa casou com Pelé... A criação de cotas é uma humilhação para os que tem a pele escura... Eles não precisam disto! Precisam, sim, de escolas dignas deste nome... Joaquim Barbosa não precisou de cotas, mesmo tendo nascido em local muito pobre... Pele escura não significa cérebro pequeno! Acordem brasileiros!

O mesmo ocorre com os índios... Índios? Índios que usam rolex, vestem camisas de griffe e dirigem pick-ups quatro por quatro? O que os poderosos que nos governam desejam é sepultarem nossas riquezas minerais e biotecnológicas, atribuindo áreas demarcadas imensas a poucos seres humanos brasileiros que assistem desvirtuantes novelas por meio de antenas parabólicas e se comunicam nas redes sociais nos locais onde há cobertura... Acordem brasileiros! Vamos combater a estratégia da divisão!

A divisão dos brasileiros que, outrora, marcou um passado de lutas patrocinado por ideologias materialistas tem que dar lugar à união nacional que nos proverá a força da qual necessitamos para conquistarmos o lugar ao qual, merecidamente, fazemos jus.  É preciso enterrarmos o passado e olharmos para o futuro da Pátria. Hoje, o inimigo é outro. São os políticos de esquerda comprados pelos poderosos deste mundo aos quais não interessa o nosso progresso. Desejam apenas que produzamos cereais e exportemos minerais. Enriquecem subitamente, como os filhos de lula, ao preço da morte de muitos brasileiros nos corredores dos hospitais abandonados, nas ruas dominadas pelo crime, viciados pelos traficantes impunes.

É assim que socorreremos nossa gente tão sofrida. Nossa estratégia tem que ser a da união que faz a força, ao invés da divergência que nos coloca à mercê dos interesses estrangeiros, agora não mais desunidos na busca do que lhes favorece, unilateralmente.

Entretanto, para que sejamos capazes de enfrentar com sucesso a estratégia da divisão, precisaremos, antes, acabar com os fanatismos que dividem os irmãos brasileiros. Enquanto atribuirmos maior importância aos ismos que flutuam em nossas mentes do que a nossos semelhantes, será improvável que consigamos superar esse ou qualquer outro problema. Isso, porque a maioria dos ismos tende a dividir. Pior é que ninguém consegue ficar totalmente imune a eles. Quando analisamos os eventos históricos, concluímos que muito poucos fatos marcantes estão divorciados de quaisquer ismos. 

Somos todos istas e, muitos de nós, assolados pelo pior de todos os ismos: o egoísmo, pois é ele quem fortalece aqueles que são condenáveis (muitos ismos são benéficos, assim como o altruísmo). Porém, tudo indica que, mesmo em longo prazo, não nos livraremos dos ismos em termos práticos, por isso, já que continuaremos istas, concluímos que o ismo que deve nortear nossas mentes, no momento, é o PATRIOTISMO que fará com que todos amem mais o Brasil, preocupando-se com a solução dos graves problemas que afetam o nosso crescimento. O patriotismo parece ser a única força capaz de unir todos os ismos nacionais

O primeiro mundo age como se tivesse adotado a estratégia da divisão porque o egoísmo humano lhes teria recomendado congelarem a poluição planetária, adiando o prazo estabelecido pela natureza para que possam continuar usufruindo o modelo atual. Para que continuem com as vantagens que obtém nas trocas comerciais. Ao que tudo indica, agora apóiam as esquerdas do mesmo modo como apoiaram a direita em passado recente. A diferença é que, naquele passado, éramos aliados e a estratégia deles era contribuir para o nosso desenvolvimento (ainda que de modo superficial). Hoje, nós somos apenas potenciais poluidores capazes de adiantar o relógio natural que marcará a adoção de profundas alterações do modus vivendi planetário. É contra essa estratégia de dividir que temos que nos voltar.

Mais do que nunca precisamos nos unir. Nossos problemas sociais exigem que sejam  imediatamente revogados os ismos de esquerda e de direita agora regados pelas águas dos que temem o nosso crescimento - águas estas que vêm saciando a sede dos interesses menores de nossos partidos políticos. Temos que findar com a estratégia da divisão! 

Brasileiros de todos os credos e partidos! Uni-vos antes que seja tarde! 

Carlos Hernán Tercero

   

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