A Ditadura do “Estelionatariado”

 

 

 

Uma sensação de impotência parece atingir os poucos brasileiros que acompanham os fatos políticos quotidianos.  Novamente, a grandeza do país mais rico do planeta cobre com tintas aceitáveis as cores fétidas que exalam da podridão de Brasília, fazendo com que o olhar míope do povo esmaeça as deploráveis e recentes cenas de estelionato moral e físico por todos nós testemunhadas. Aparentemente, quase tudo está esquecido (embora não se possa confiar em pesquisas distantes da eleição). Mesmo entre intelectuais, encontra-se quem defenda o governo.

Após anos de lavagem cerebral, nossas Universidades foram transformadas de formadoras de cientistas em formadoras de esquerdistas que não percebem que esquerda e direita são expressões arcaicas que marcaram o sangrento embate entre capitalistas e comunistas no século passado (que tantas vítimas inocentes ceifou). São poucos os que se dão conta de que, hoje, o embate se trava entre desenvolvidos e não desenvolvidos, entre os “com tecnologia” e os “sem tecnologia”, e que a meta a ser alcançada é a sobrevivência do planeta, agora ameaçada pelo desenvolvimento do terceiro mundo. Pior do que tudo, aqui, ainda podem ser encontrados defensores da ditadura do proletariado e do partido único da foice e do martelo. O fascismo camuflado, auxiliado paradoxalmente pelas ações defendidas por Gramsci, vai ocupando espaços onde não encontra resistência ...

Nesta nova arena, as idéias políticas predominantes no cenário nacional (neo-liberalismo, comunismo, gramscianismo, etc.) constituem um bálsamo para os detentores do poder que, desejosos de continuarem a desfrutar do status quo que lhes é favorável, as apóiam valendo-se de inúmeras ONG de propósitos louváveis, mas cuja atuação refreia o desenvolvimento nacional em benefício dos interesses que defendem, escamoteadamente. Em particular, as técnicas gramscianas caíram como luva a esses interesses. No momento, praticamente, todos os escalões de decisão política estão dominados pelo pensamento retrógrado das esquerdas. Nosso prêmio é o tímido crescimento econômico ante pressão demográfica constante a desviar os destinos dos menos favorecidos para os caminhos da informalidade e do crime. 

A cada dia, mais cidadãos se envergonham de defenderem idéias rotuladas de conservadoras, fortemente combatidas pela mídia. O ideal da igualdade de todos os seres humanos foi transformado pelo pensamento da esquerda atéia na concepção de que todos já são iguais. O corolário dessa tese, jamais demonstrada, é o sentimento de que todos, indistintamente, têm que alcançar as benesses das conquistas sem as conquistas das benesses. Ao invés, devem reivindicá-las, alegando igualdade de direitos, confundidos estes, intencionalmente, com privilégios, agora desvinculados dos deveres que, antes, constituíam a condição necessária à sua obtenção.

A aceitação da idéia de que todos devem ter direito indiscriminado a tudo será tão mais facilmente aceita quanto menor for a quantidade de caminhos para as conquistas efetuadas por mérito. Assim, assiste-se à destruição progressiva desses caminhos, às vezes rotulados como arcaísmos de direita, para que, não havendo alternativas, possa validar-se socialmente a inversão de valores – consolo e anseio dos que têm suas oportunidades suprimidas (e constituem a maioria dos eleitores).

Garante-se a impossibilidade da obtenção de ensino básico gratuito e adequado, negando-se aos mais pobres a possibilidade de competirem em condições de igualdade com os mais ricos. Depois, emprega-se esse cerceamento de educação (que eles mesmos criaram) como desculpa para o coroamento da inversão de valores, desvinculando-se a capacidade intelectual dos requisitos ao ingresso na Universidade. Dessa forma, contamina-se a Universidade com o mesmo vírus inoculado no ensino básico, fechando-se o círculo da causação circular cumulativa que auxiliará a incapacitar a produção de conhecimentos no país, aumentando a ignorância e perpetuando a “ditadura do estelionatariado” no poder.

De modo similar, cargos são distribuídos aos milhares por critérios estritamente políticos, destruindo as crenças dos que acreditaram no mérito. Terras são oferecidas a militantes políticos em cujas mãos não se contam calos. Criminosos confessos permanecem no exercício de suas funções. Rareiam as punições legais da sociedade contra os poderosos. Abundam as reações covardes do poder.

O debate político parece contentar-se com o esclarecimento da dúvida acerca de quem, dentre Serra, Lula, Aécio ou Alckmin, continuará a governar nossa desgovernada nave, como se isso representasse qualquer modificação digna de nota em seu rumo desastroso que, cada vez mais nos faz adentrar os mares da violência, do crime organizado, da corrupção em todos os níveis, da quase estagnação econômica, do desamparo à juventude e à velhice, do desemprego e do cinismo com que se varre para debaixo dos tapetes da inocência popular crimes inegáveis. 

Por todas as partes, a ideia da divisão. Civis contra militares, policiais contra cidadãos, negros contra brancos - como se existissem raças além da humana (Hitler deve estar sorrindo. Observem quantos programas da mídia dominada tentam trazer para o presente os crimes enterrados no passado da escravidão) - conservadores contra progressistas, favelados contra não-favelados, cristãos contra não-cristãos, homossexuais contra heterossexuais, homens contra mulheres, com terra contra sem terra, teologia da libertação contra desígnios de Deus, ateus contra religiosos, muçulmanos contra cristãos, nativos contra imigrantes, enfim: dividir para enfraquecer. A idéia geral é a de que cada brasileiro deve pertencer a um partido hostilizado por outro, sendo esta hostilidade explorada, à grande, pela mídia. 

A estratégia da divisão está baseada no policiamento intelectual e na atribuição de rótulos estereotípicos. Sempre que alguém diverge da orientação política considerada como “correta” é logo rotulado pelos meios de comunicação (quase totalmente sob controle das esquerdas) com alguma expressão, geralmente, pejorativa na ideia popular: nazista, fascista, conservador, torturador, coxinha, retrógrado, violador de direitos humanos (de criminosos), entreguista, machista e vai por aí. 

Uma campanha permanente de lavagem cerebral destinada a manter a negatividade destes rótulos, bem como quem deve ser como tal rotulado, é mantida pelos principais agentes da mídia, em sua maioria, como dissemos, de esquerda. Assim, assistimos Juscelino ser canonizado para que fosse o espelho para a reeleição de Lula. Toda a corrupção originada pelo seu egoísmo de querer inaugurar a nova capital a qualquer preço, em apenas cinco anos, marca de seu governo e que elegeu Jânio, foi escamoteada do conhecimento dos que não viveram aqueles momentos. Lula foi o novo Juscelino (ambos os passados corruptos apagados).

Vivemos em cenário onde se representa a peça: “Escolha Serra, Lula, Aécio ou Alckmin e seja feliz”. Todas as pesquisas se voltam para a confirmação deste roteiro. Assim tem que ser, pois outros atores poderiam alterá-lo em desfavor dos que, ora, se beneficiam do status quo. Para anestesiar o povo: Bigbrothers! U-2! Rolling Stones!  Carnaval! Copa do Mundo! Olimpíadas, Aplausos! Comanda-se ao povo metamorfoseado em claque enquanto nos bastidores do poder...

Praticamente, todos os políticos, juízes, ocupantes de cargos importantes, ministros, governadores, prefeitos e, principalmente, presidentes não passam de pessoas sem caráter que se vendem por pouco ou muito dinheiro... Estamos no auge da ditadura do estelionatariado que substituiu a do proletariado que serviu de desculpa para a ascensão de criminosos ao poder...

Sim, vivemos numa ditadura. A prova disso é a inexistência de liberdade de imprensa. A mídia se vendeu por verbas governamentais que a chantageiam. Na passagem do ano, nada foi divulgado acerca da pressão popular para que a anta seja removida. A corrida de São Silvestre evitou mostrar a indignação do povo contra este governo corruPTo que está nos destruindo.

Precisamos mudar o cenário e o roteiro. Precisamos por um fim a essa  tragicômica peça teatral que estamos assistindo há uns trinta anos, sem intervalo para um cafezinho. Precisamos de alternativa. Precisamos de propostas que concedam ao povo os direitos que lhes vêm sendo negados pelo apego ao poder e subserviência de nossos governantes. 

Precisamos condicionar o pagamento de nossas dívidas à garantia de crescimento econômico compatível com a pressão demográfica e com as imposições da justiça social, do pleno emprego e de salários dignos. Precisamos crescer mais. Em 2015, fomos os que menos crescemos, isto é, decrescemos. Nós, que já fomos a sétima economia do mundo...

Precisamos, com urgência, salvar as vidas dos pobres que morrem sem assistência médica nos corredores lotados dos hospitais que não são dignos deste nome...

Precisamos garantir a gratuidade e a eficácia do ensino básico,  remunerar adequadamente os seus professores e instituir a obrigatoriedade da presença das crianças nas escolas em horário escolar.

Precisamos investir na conservação de nossas estradas, portos, ferrovias e canais.

Precisamos restabelecer o princípio da autoridade. Precisamos unificar as polícias, profissionalizá-las e remunerá-las. Precisamos ocupar os pontos sensíveis das favelas (porque não se ocupa o topo das colinas?). 

Precisamos findar com o tráfico de drogas e armas...

Precisamos aumentar o efetivo das Forças Armadas e da Polícia Federal (A Coréia do Sul, cuja extensão territorial é similar à do Estado de Pernambuco, possui efetivo duas vezes superior ao nosso). Precisamos fechar nossas fronteiras ao tráfico de armas e drogas.

Precisamos alterar a forma como tratamos nossos condenados. Precisamos endurecer as penas e reformar o sistema penal. Precisamos transformar nossos presídios de escolas do crime em escolas de vida.  Precisamos da maioridade penal aos doze anos...

Precisamos garantir que os impostos arrecadados revertam em benefício do povo sob a forma de serviços de qualidade em saúde, previdência social e auxílio à obtenção de moradias dignas.

PRECISAMOS GARANTIR QUE OS CULPADOS SEJAM PUNIDOS E IMPEDIR QUE OS INOCENTES CONTINUEM A MORRER, COMO ASSISTIMOS, IMPASSÍVEIS, DIARIAMENTE.

Precisamos de um Plano. Precisamos derrubar a “Ditadura do Estelionatariado”. Precisamos de novos líderes, urgentemente. Esses que estão por aí... já sabemos a que vêm... isto é, os poucos cidadãos que se interessam e acompanham os vergonhosos cenários políticos e possuem discernimento que os tornem imunes à lavagem cerebral ora em curso...

Brasileiros de todos os partidos e credos, uni-vos! (antes que seja tarde).

Carlos Hernán Tercero

© todos os artigos deste site podem ser reproduzidos desde que sejam citados o autor e a fonte.