A crise de autoridade

 

 

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reconizando a eliminação de quaisquer diferenciações no tratamento dos indivíduos, os marxistas têm uma espécie de prevenção contra o exercício da autoridade por parte dos governos. Se não deve haver diferença de classes, efeito adverso a ser eliminado por meio da aniquilação da burguesia, é compreensível que também não deve haver qualquer distinção de tratamento a grupos de pessoas. Porém, quando os marxistas assumem o poder, tal limitação volta-se contra eles mesmos. Afinal, é evidente para todas as pessoas que existe uma diferenciação entre seres humanos que, até nossos dias, não se conseguiu eliminar e mesmo os marxistas têm que aceitá-la: a que existe entre criminosos e pessoas honestas. É aí que surge o dilema: - policiar o povo em busca de criminosos e reprimir o crime ou atribuir o crime às condições sociais anteriores ao advento do marxismo e assumir que com a sua melhoria o problema se resolverá por si só?

Essa última alternativa parece ser a preferida. É que a repressão aos crimes cometidos pelas camadas mais pobres da população é bem mais visível que a repressão levada a efeito contra as elites. O combate aos criminosos de colarinho branco tem a sua eficácia, em quase todos os casos, condicionada ao segredo, o que o torna quase imperceptível aos olhos da grande maioria constituída pelo povo. Dessa forma, a luta contra o crime em geral tende a ser interpretada pela população como medida autoritária, voltada tão somente contra os menos assistidos, o que faz com que seja repudiada pelo governo por seu cunho de impopularidade nos meios mais pobres, os quais incluem a maioria dos eleitores.

Considerando o parágrafo anterior, é compreensível que a repulsa pelo exercício da autoridade na repressão aos crimes por parte dos marxistas possa assumir faceta de parcialidade. É quando a repressão se volta, principalmente, contra as classes ditas burguesas, medida que, contrariamente ao caso anterior, reveste-se de grande popularidade. Ela funciona também como uma espécie de compensação pelo fato de, em nossos dias, não mais ser viável a eliminação das elites como ocorria no passado ao eclodirem as revoluções comunistas. Todavia, sendo a corrupção um defeito que não é privilégio das classes burguesas, existindo também marxistas corruptos, os criminosos de colarinho branco findam burlando essa repressão. Assim sendo, os regimes marxistas tendem a gerar o aumento das atividades criminosas de toda a ordem em curto prazo.  No Brasil, isso tornou-se ainda pior pelo fato de os marxistas terem aversão ao regime militar que derrotou parte de seus quadros na repressão ao terrorismo das décadas de 60/70.

Encastelados nas Universidades e Escolas, ensinaram às gerações mais modernas, durante muitos anos, que autoridade se confunde com autoritarismo e que isso é “coisa de militares”, devendo, portanto abominar-se o recurso a tal prática. Dessa forma, o governo Brizola vetou a repressão aos crimes populares, proibindo a polícia de subir os morros e determinando o fim das “batidas de trânsito”. Problema similar vem enfrentando o governo do PT que hesita em combater as invasões do MST e do MAST e em adotar as antipáticas medidas de força exigidas pela “Guerra contra as Drogas e Lavagem de Dinheiro”.

A crise de autoridade pela qual passamos contribui para aumentar as atividades criminosas, já que a impunidade é a mãe de todos os vícios. Além disso, a falta de energia na repressão dos crimes e infrações gera a necessidade de legislar por exceção que tanto dificulta a qualidade de vida de todos os brasileiros e nos transforma na República dos Quebra-Molas.

Carlos Hernán Tercero

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